O vice-governador Laurez Moreira subiu o tom na resposta às críticas feitas pelo governador Wanderlei Barbosa acerca do reajuste de 9,37% nas tarifas da BRK Ambiental concedido durante sua gestão interina. Em nota oficial, Laurez defendeu que a decisão não foi política, mas uma "obrigação jurídica" para evitar um prejuízo maior à população no futuro.
A nota do vice-governador foi publicada no final da tarde desta quarta-feira, 7, em decorrência da determinação do governador Wanderlei Barbosa para que a Agência Tocantinense de Regulação (ATR) analise imediatamente o reajuste na tarifa de água cobrada pela empresa BRK Ambiental para cancelar o aumento, que está previsto na Resolução nº 13/2025, de 5 de novembro de 2025.
Em sua defesa, Laurez argumenta na nota que o estado vivia um cenário de omissão e que a tarifa estava sem a correção pelo IPCA e que o reajuste represado poderia ultrapassar 40% nos próximos anos, criando um impacto impagável para as famílias. A nota do vice informa que o acordo para o reajuste foi balizado por decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Judiciário, de modo a regularizar contratos que estavam travados.
Laurez argumentou ainda que a regularização contratual é o que garante a continuação de obras de saneamento e, principalmente, a aplicação da Nova Tarifa Social, que beneficia mais de 440 mil tocantinenses de baixa renda. "O que fiz foi agir como gestor público. Cumpri a lei, evitei um impacto injusto às famílias e busquei o melhor para a população. Gestão responsável é resolver no tempo certo, não empurrar problemas", afirmou Laurez.
O episódio da tarifa de água soma-se a outros e evidencia o rompimento público entre o governador e seu vice. Enquanto Wanderlei tenta se distanciar do aumento tarifário — alegando falta de transparência na publicação do ato —, Laurez se posiciona como o gestor que "limpou a casa" e enfrentou passivos financeiros e jurídicos deixados pela administração principal, incluindo rombos na saúde e pendências contratuais. O cenário agora aguarda os desdobramentos da comissão criada por Wanderlei para revisar os atos da gestão interina, o que deve manter a temperatura política elevada no Tocantins no início deste ano de 2026.
Confira abaixo a nota na integra:
Gestão Não Empurra Problemas, Resolve!
Durante o período em que estive à frente do Governo do Estado, atuei com transparência, respeito à legalidade e, acima de tudo, responsabilidade com as pessoas do Tocantins.
O acordo com a companhia de água não foi uma decisão política, nem de conveniência. Foi uma obrigação jurídica e contratual, reconhecida pelo Tribunal de Contas do Estado e pelo Poder Judiciário. Diante de anos de omissão, optei por uma solução equilibrada: autorizei apenas a recomposição da inflação, pelo IPCA, limitada a 9,37%, para evitar que a população fosse surpreendida, no futuro, com um reajuste acumulado que poderia ultrapassar 40%.
Ao mesmo tempo, determinei que as partes revisassem o contrato para garantir a retomada de obras e investimentos, assegurando segurança jurídica e proteção ao cidadão. Essa postura responsável é fundamental também para permitir a aplicação da nova Tarifa Social, que pode beneficiar mais de 440 mil tocantinenses.
O que fiz foi agir como gestor público. Cumpri a lei, evitei um impacto injusto às famílias e busquei o melhor para a população do Tocantins. Isso é governar com responsabilidade.
Gestão responsável é cumprir a lei e os contratos no tempo certo, não empurrar problemas com a barriga.
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