Em uma conversa que percorre três décadas de história política de Palmas, Marisa Sales Coelho — ex-vice-prefeita, primeira mulher a assumir interinamente a prefeitura da capital e vereadora por dois mandatos — compartilhou os bastidores de sua trajetória e os desafios da consolidação da capital tocantinense. A entrevista, concedida ao programa Histórias que Vivi, da jornalista Roberta Tum, revela detalhes de sua atuação ao lado de figuras como Siqueira Campos e seu filho, o prefeito Eduardo Campos, e sua visão sobre a participação feminina na política.
Marisa ingressou na vida pública de forma inesperada, convocada diretamente pelo então governador Siqueira Campos para compor a chapa de seu filho, Eduardo, na eleição municipal de 1992. “Foi ele. Eu não sabia de nada. Ele planejou tudo. Aliás, ele nem me fez convite. Ele só me chamou e avisou que eu era candidata", relembrou.
Durante o primeiro mandato do prefeito Eduardo Campos, Marisa assumiu a gestão municipal em diversos períodos de licença médica do titular. Uma de suas principais realizações à frente da prefeitura foi a criação do Projeto Pão Nosso, que transformou a antiga rodoviária em um centro de formação profissional para adolescentes. Sobre a origem da iniciativa, explicou: "E um dia eu passando por lá, vi aquele abandonado lá e eu disse, chamei o Zé Francisco, o que que pode ser feito ali?” Sobre o funcionamento, destacou: "Eles faziam os pães e os pães eram distribuído nas escolas do município, servia para a merenda escolar e aqueles que trabalhavam lá ainda tinham direito de levar o pão para a casa.
Após trabalho no Executivo
Após o término do mandato como vice-prefeita, Marisa foi eleita vereadora. Sobre essa transição, contou: “Terminando nosso mandato… eu pensei, eu sou professora, concursada… Aí quando fui contar para Eduardo, ele disse: 'Não, não é assim não'. Ele falou: 'Você vai ser candidata a vereadora'.” Ela exerceu dois mandatos na Câmara Municipal.
Hoje, integra a Secretaria da Mulher de Palmas, onde atua no enfrentamento à violência de gênero. Sobre os desafios dessa área, afirmou: “A impunidade hoje ainda é o que mais atrapalha… O outro é o silêncio. A mulher às vezes precisa sofrer a violência sofrendo no silêncio, calada, ela não denuncia"
Quanto à representatividade feminina na política, Marisa avalia: “O espaço pra mulher na política é complicado ainda hoje [...] A mulher ainda continua nessa dificuldade de busca de espaço na política, no trabalho.” Ela reconhece, porém, alguns avanços. “Já melhorou muito… Veja aqui agora com o Eduardo quantas mulheres estão no comando das secretarias. Então já tem avanços, mas ainda precisa melhorar mais", contou.
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