O sonho de uma educação superior contextualizada à realidade do campo tornou-se marco histórico no Bico do Papagaio nesta semana. O IFTO Campus Araguatins realizou o lançamento da primeira turma de Engenharia Agronômica pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). A iniciativa é fruto de três anos de articulação entre o Incra, movimentos sociais e o instituto para garantir um ensino que une ciência ao saber ancestral.
O curso atende 50 estudantes de diversas comunidades e adota a Pedagogia da Alternância. Nessa metodologia, o aprendizado ocorre entre o "Tempo Escola", no campus, e o "Tempo Comunidade", onde o conhecimento é aplicado diretamente nos territórios. Segundo o diretor do campus, Cláudio Galvão, o formato foi planejado para oferecer uma educação técnica sem perder de vista as diretrizes sociais exigidas pelo programa.
Para os movimentos sociais, a conquista carrega um simbolismo profundo. Pedro Gonçalves de Oliveira, representante do MST, relembrou os 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, destacando que a agroecologia no currículo honra a luta histórica pela terra. Já o coordenador regional do Pronera, Willian Clementino, reforçou que a existência do curso só foi possível graças ao aval e interesse das organizações populares da região.
A diversidade da turma é personificada por alunas como Cícera Soares. Assentada, quebradeira de coco e apicultora, ela agora ocupa os bancos da universidade. “A educação no campo é direito nosso. Não queremos sair do território para estudar, mas aprimorar o que já produzimos nele”, pontuou a estudante.
O suporte aos alunos será acompanhado pela Alternativas para a Pequena Agricultura (APA-TO), que integra o Conselho do Curso. O objetivo, segundo o presidente da APA-TO, Francisco Gomes, é evitar a evasão e garantir que a pauta da reforma agrária se fortaleça através da formação acadêmica. A coordenação do curso já planeja a continuidade do programa para os próximos semestres.
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