Tocantins supera a média nacional em debate sobre desigualdade racial nas escolas

Apesar do indicativo favorável em relação ao País, pesquisa baseada no Saeb revela que quase metade dos estudantes tocantinenses ainda percebe pouca ou nenhuma abordagem do tema

Crédito: Joédson Alves/Agência Brasil

Os estudantes do Tocantins possuem uma percepção sobre o debate de desigualdade racial em sala de aula acima da média nacional, mas o cenário ainda exige atenção dos gestores públicos. Segundo dados da pesquisa “Desigualdade racial na Educação Básica: a percepção de estudantes e professores a partir do Saeb 2023”, 46% dos alunos do 3º ano do Ensino Médio e 49% do 9º ano do Ensino Fundamental no Estado afirmam perceber pouca ou nenhuma abordagem do tema no cotidiano escolar.

 

 

Embora os índices tocantinenses acendam um alerta, eles são mais positivos do que o panorama do Brasil. No território nacional, aproximadamente 50% dos estudantes de ambas as etapas declaram não reconhecer o debate sobre a temática racial nas salas de aula. O estudo — realizado pelo Afro-Cebrap em parceria com o Geledés Instituto da Mulher Negra e o Instituto Alana — joga luz sobre os limites de implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), modificada há cerca de 20 anos para tornar obrigatório o ensino de história e cultura africana, afro-brasileira e indígena.

 

 

O descompasso entre professores e alunos

A análise aponta um distanciamento relevante entre o que os docentes declaram aplicar e o que a classe estudantil afirma aprender. No cenário nacional, enquanto 81,6% dos professores do 9º ano do Ensino Fundamental e 71,6% do 3º ano do Ensino Médio dizem abordar as desigualdades raciais “muitas vezes” ou “sempre”, menos da metade dos estudantes (46,6% no Fundamental e 46,8% no Médio) reconhece que a maioria ou a totalidade de seus professores de fato trata do assunto em aula. De acordo com os pesquisadores, a frequência da abordagem é um fator decisivo, pois quando o professor trabalha o tema de forma recorrente e estruturada, a probabilidade de o estudante reconhecer e absorver o conteúdo aumenta em 18%.

 

 

Fatores de influência e recomendações

O relatório indica que o perfil racial e o tipo de instituição impactam diretamente a percepção do debate. A ausência da temática antirracista é mais sentida nas escolas privadas, onde o índice chega a 60,8% no Ensino Fundamental e Médio, do que na rede pública, que apresenta uma taxa de não percepção em torno de 51%. Além disso, estudantes que se autodeclaram brancos apresentam menor reconhecimento das discussões raciais em sala de aula em comparação a alunos pretos, pardos e indígenas.

 

 

Para reverter esse quadro e consolidar o compromisso com a equidade, as instituições responsáveis pelo estudo recomendam a criação de monitoramentos permanentes das leis de obrigatoriedade, a ampliação da diversidade racial no corpo docente, o uso de materiais pedagógicos com intencionalidade e o fortalecimento da formação continuada de professores e equipes gestoras em educação para as relações étnico-raciais, dedicando atenção especial às escolas particulares.

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