Coordenação de Kátia começa a ser questionada: é 2014 atropelando 2010

Há dias tenho ouvido rumores de descontentamento nos bastidores em torno da coordenação operacional da campanha da TLS estar confiada à senadora Kátia Abreu (DEM). Alguns sinais de crise são evidentes......

A união da senadora Kátia Abreu (DEM) e do senador João Ribeiro (PR), em torno de alavancar e garantir a eleição do ex-governador Siqueira Campos este ano, já começa a dar sinais de fissura. Alguns fatos contribuíram para isto nas últimas semanas, mas o coro de lamentações engrossou nos últimos dias, especialmente partindo de candidatos a deputados federais da coligação que reclamam falta de atenção da coordenadora operacional da campanha.

No cenário óbvio está o ciúme provocado pelo lançamento da candidatura de Irajá Silvestre (DEM), filho da senadora, para disputar efetivamente a vaga de deputado federal depois da crise com Júnior Marzola, que agora parece retirar definitivamente o time de campo.

No pano de fundo, mais escondida ainda, está a disputa por poder, espaço e pelo espólio Siqueirista em 2014. A guerra é de gigantes, mesmo que publicamente seja contornada e adiada. Dois senadores de peso deixaram de ser pré-candidatos para apoiar Siqueira, e os dois querem governar o Estado em 2014.

Ribeiro e Kátia dividem preferências

Candidato à reeleição, Ribeiro retornou ao ninho utista depois da chegada de Kátia, que no final do ano passado recebeu Siqueira e Eduardo em sua casa para um almoço que nós cobrimos com profusão de detalhes. Naquela época o senador ainda esperava por Gaguim e pelo PMDB na esperança de ser consagrado candidato da base de Lula. Não deu certo.

A liderança do senador, no entanto, é coisa indiscutível junto a deputados que amealhou no PR e ao seu redor, e também junto a prefeitos que pode beneficiar justamente por ser aliado e não adversário do presidente. Assim, o jogo de forças entre Kátia e Ribeiro se torna mais interessante ainda, a não ser pelo agravante de antecipar nos bastidores da coordenação de campanha, um embate que atrapalha a eleição de 2010.

Deputados reclamam

Segundo informações de bastidores obtidas pelo Site RT, Ribeiro tem sido procurado por deputados federais e candidatos que reclamam da atuação de Kátia na coordenação. A justificativa é que ela está especialmente dedicada à campanha do filho Irajá, e não tem dado atenção aos proporcionais. Surge assim, em torno de Ribeiro, um movimento para afastar a senadora da coordenação da campanha de Siqueira.

Na fila dos que foram ontem falar com o senador estão Freire Jr., Nilmar Ruiz ( com histórico de desafeto grande com Kátia) e ao que tudo indica o deputado federal Eduardo Gomes (PSDB).

Reconhecida como o fator diferencial que deu fôlego e crescimento à candidatura de Siqueira nos primeiros meses do ano, a senadora Kátia Abreu passa por um processo de desgaste dentro do grupo depois da difícil decisão de lançar o filho. Difícil por que está claro pela forma como aconteceu, que não foi coisa previamente planejada, mas improvisada.

Exposta, Kátia pode deixar coordenação

Na tentativa extremada de cumprir o compromisso com o partido, e repetir as duas vagas que o DEM fez em 2006 na Câmara Federal, Kátia Abreu se expõe a toda sorte de críticas e bombardeios colocando Irajá na disputa. Segundo fontes ligadas a ela, isso só aconteceu por que Marzola agiu de forma dúbia dando a entender que deixaria o partido literalmente “na chapada”, ao pressionar por mais dinheiro. Segundo outras versões, Marzola temia que Irajá realmente estivesse na lista para disputar, e teria recuado com medo de gastar suas economias e perder a eleição.

Só os intimamente ligados aos dois sabem de fato o que aconteceu. Mas o certo é que uma crise está criada no ninho oposicionista, e da sua solução ou não dependem os próximos passos da campanha encabeçada por Siqueira. Pode ser que Kátia perca a coordenação este mês, como aconteceu com Ribeiro lá atrás quando lançou a filha Luana a estadual. Num estado onde Siqueira fez Eduardo, Brito fez Marcelo, Dolores fez Josi e Ribeiro fez Luana, Kátia Abreu é crucificada por tentar fazer Irajá.

Sinal dos tempos numa campanha em que muitos embarcaram hoje, de olho no amanhã que chegará apenas daqui há quatro anos, mas já tem lances decisivos jogados agora.

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