Conversando com o presidente do Sisepe, Clayton Pinheiro nesta quarta-feira sobre o andamento da cobrança pelo pagamento da data base, notei a disposição de diálogo com o novo governo. É absolutamente necessário. Afinal, as categorias representadas por presidentes que têm posições político-partidárias divergentes do governador eleito não podem ter prejuízo com a prevalência de posições pessoais na condução da conversa.
O problema é que fazer a volta depois de ir fundo numa campanha política não é fácil. Especialmente encontrar o caminho do meio: aquele que fica entre a posição política pessoal e a necessidade de assumir interlocução em nome de um grupo de pessoas.
Faltou isenção à maioria dos presidentes de sindicatos durante a campanha eleitoral. Por outro lado, soa oportunismo a campanha que está nas ruas pressionando o governador que era companheiro até ontem. Não que esteja incorreta a reivindicação pela data base. Longe disto. Ela é legal, é justa, e deve ser feita. O problema é o tom, que marca justamente o distanciamento de um, para poder aproximar-se do outro.
Cobrança exagerada soa em falso
O que soa falso é o tom de cobrança exacerbada se faltou equilíbrio numa disputa que está bem fresca na memória recente: aconteceu há três meses. Já tem presidente de sindicato que subiu no palanque como candidato e discursou contra Siqueira, nas imediações da antiga 14 buscando aliança com Eduardo Siqueira. É muita rapidez.
Com o respeito merecido às categorias e aos seus representantes, penso que todo excesso precisa ser evitado por quem tem a missão de representar a coletividade em questões como direitos trabalhistas. Depois da vaca morta é difícil arranjar credibilidade para sentar à mesa. Partido, posição política, todo cidadão tem o direito à sua. Comprometer toda uma categoria em favor de um candidato não é bom nem quando o resultado é a vitória. Em caso de derrota então, é desastroso.
Até ontem praticamente, Gaguim era tratado com toda deferência pelas conquistas garantidas a vários segmentos: acordo, parcelamento de aumento, pagamento de indenizações. Diante da dificuldade financeira do fim do governo, após uma campanha em que todas as benesses foram postas a serviço dos companheiros, é fácil virar adversário. Mas é feio. Muito feio.
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