O tempo tem corrido acelerado não só para o governador Carlos Gaguim, fã de Fórmula 1, do Ayrton Senna e da cor vermelha. A lei da relatividade funciona igual para os dois candidatos em disputa pelo governo, e tenham certeza: para os dois dez dias é pouco. De um lado Gaguim afirma que já está percorrendo o Tocantins pela segunda vez. Pudera. Sua agenda acumula às vezes oito reuniões numa noite, ele nunca fala mais que 15 minutos, e cada deslocamento é uma carreata, com produção, imprensa, segurança e candidatos correndo loucamente para alcançá-lo. Foi assim em Araguaína há 16 dias, e é lá que ele está novamente hoje.
De outro lado, as reuniões de Siqueira têm sido mais calmas: o ex-governador tem cumprido em média três compromissos por noite. É outro estilo. Uns dizem que é pelas limitações da idade, outros garantem que é por primar pela qualidade. Uma coisa é certa: os discursos são mais longos, o ambiente é de menos barulho, as pessoas em sua maioria permanecem sentadas, e não há aquela profusão de bandeiras dos candidatos proporcionais na frente. Dois estilos completamente diferentes.
Sem tempo para debater
Quem não fez debate até a semana passada não faz mais. Exceção, é claro, à repetidora da Globo, compromisso que nenhum candidato deixará de cumprir. Só esta semana foram dois cancelados, o da UFT e o do Ceulp/Ulbra, que seria realizado esta noite. Os dois candidatos estão optando pelo contato popular nas ruas. É a aposta no carisma, na máquina do voto composta por imagem, jingle, e discursos que emocionam. O debate de idéias, o confronto de propostas, até aqui não existiu de fato.
Na TV, o arquivo ganha a cena
O horário gratuito de TV virou ringue de luta de boxe, com direito a golpes abaixo da cintura. Com um bom arquivo, a Força do Povo trouxe de volta imagens de 2006, repetidas à exaustão, onde a senadora Kátia Abreu(DEM) critica o ex-governador Siqueira Campos. Tem também o candidato a vice-governador João Oliveira dizendo que foi traído. Ontem à noite, a coligação mostrou um vídeo de José Wilson Siqueira Campos Júnior, que em guerra com o pai em 2006, fez ataques a ele, onde termina dizendo que “a era do coronelismo acabou”.
Lógico, sem identificar de quando foi a gravação. Aliás, o quando não importa. O objetivo é nítido: desacreditar o presidente e a senadora do DEM, e abalar novamente a imagem do ex-governador expondo uma crise familiar. Não se sabe até onde vai funcionar, porque se de um lado confunde, de outro a equipe da Duda Propaganda, que trabalha junto com a Public não mordeu a isca, e solenemente ignorou a provocação. A coordenação de campanha reage apenas na justiça para tentar tirar todo material danoso do ar e amenizar o estrago.
Lideranças vão, lideranças voltam
O capítulo mais bizarro da eleição a meu ver, no entanto, é a dança das lideranças. Faltando dez dias, a queimação na comunidade de cada um, me parece ser maior do que qualquer tipo de benefício com as mudanças de última hora. Exemplo: o governador Gaguim antecipou adesão de doze prefeitos à sua candidatura, marcada para semana que vem. Na assessoria de Siqueira, já tem contra-informação: cerca de 30 estariam aderindo ao palanque da TLS. É esperar para ver quais adesões se confirmam e como a população reagirá a elas.
A impressão que fica, depois do bombardeio de ataques e promessas de lado a lado, e da falta do debate de qualidade nesta campanha, é que a campanha virou uma grande confusão. Não só por que as pessoas mudam constantemente de lado, mas especialmente por que está difícil enxergar de forma clara, as diferenças de propostas e compromissos dos dois candidatos. É milhares de casas pra cá, milhares de casa pra lá. Hospital Geral de Araguaína de um lado, Hospital Geral de Araguaína de outro.
Sinceramente, você consegue responder como será o Tocantins com mais quatro anos de Gaguim? Ou como será se a sequência for quebrada por quatro anos de Siqueira? Eu que escuto os dois todos os dias, na rua, no palanque e na TV ainda não sei dizer. Quem dirá o eleitor com um volume bem menor de informação.
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