Igor assume a cota política de Avelino no governo Siqueira, numa equipe que constrói novo grupo para Eduardo

A formação do secretariado que assumirá junto com o novo governador vai formando um corpo estranho à medida que os nomes são anunciados. Uns são atendimento à cota política, mesmo que Siqueira siga dizendo que não fez compromisso com ninguém. É o cas...

Lá em Jataí, no Sudoeste de Goiás, terra de muitas cabeças pensantes, o ilustrado Gênio Eurípedes que secretariou o ex-prefeito Nelson Antonio e caminhou sempre próximo das estrelas da política naquela região (entre os quais o governador, senador e agora prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela) gostava de usar uma frase típica do povo do interior goiano para explicar quando uma coisa estava soando estranha e precisava ser adequada em seu devido lugar: “cada qual, com seu cada qual”.

A velha frase me voltou à mente mais cedo nesta terça-feira, 21, ao ver novamente as explicações do coordenador da transição, Eduardo Siqueira Campos (PSDB) sobre os critérios técnicos das escolhas que tem sido feitas para o secretariado de seu pai. Eduardo insiste em dizer que as indicações são técnicas. Algumas são, outras não, como é o caso hoje de Igor. Soaria melhor dizer logo o que é acomodação política, que pode se tornar uma boa surpresa no andar da carruagem de acordo com a equipe - técnica -  que estiver assessorando o futuro secretário.

Não restam dúvidas de que quem bate o martelo é Siqueira. Ele próprio voltou a reafirmar hoje,na frase que não deixa dúvidas para bom entendedor de suas mensagens subliminares: “quem indica é quem nomeia”.E o Velho Siqueira de guerra emendou: não fez compromisso com ninguém, vai responder de agora em diante à Deus e ao povo.

Expectativas criadas antes, se desfazem agora

O problema que cria nuvens no horizonte -  e elas se transformarão em chuva mais cedo ou mais tarde se não forem desarmadas -  é que quem tratou entre quatro paredes com líderes e presidentes de partidos, nanicos ou não, foi seu filho e coordenador da transição, Eduardo Siqueira. E o que se ouve nos bastidores, em conversas por aí nos finais de tarde é que o “Canto da Sereia” na hora da composição para a eleição incluía sim, com todas as letras, participação no novo governo.

Aos mais próximos Eduardo tem dito que vai haver espaço para acomodar a todos, mas segue calado, conversando com cada um que quer aproveitar por sua vez. Na luta que trava para montar uma equipe funcional à serviço do governo de seu pai que – pretendem os Siqueiristas de primeira hora – deve ser feito de forma a entrar para a história, Eduardo tem convidado e desconvidado gente nas últimas semanas. Na forma de agir tenta não criar problemas, embora saiba que eles fatalmente virão e deverão ser administrados.

Teve aliado para quem se acenou com secretaria e depois veio o desconvite, com explicações de implicações políticas. Tem aliado que ainda hoje espera ser chamado para alguma conversa, para pelo menos ouvir qualquer explicação e... nada.

Para cada regra criada, existe uma exceção

Uma coisa é fato: aquela conversa que se ouvia nos bastidores de que secretários de governos anteriores não seriam aproveitados e de que secretários de antigos governos de Siqueira não teriam os nomes repetidos, cai por terra a cada dia que passa. Já se fala por aí até em proximidade com o grupo de Gaguim, com aproveitamento de alguém com poder de alterar a articulação que envolve os votos pela presidência da Assembléia. Tem muita coisa urdida e tramada nos bastidores nesta fase de formação de governo.

Hoje por exemplo, Igor Avelino assumiu a cota política de seu pai, Moisés Avelino. Que não foi combinada, mas que Siqueira achou que era devida. E tem todo direito de concedê-la. Afinal, o que não seria justo era Avelino passar por todo o sofrimento que passou por confrontar o velho e o novo PMDB ao apoiar seu antigo adversário, e ficar sem espaço depois de ser atropelado por seu antigo grupo na reta final das eleições. Igor, por outro lado, tem todas as condições de se tornar um bom secretário. Se não o foi antes, talvez seja por que lhe delegaram apenas uma pasta que cabia numa pasta  e outra em que faltavam recursos para trabalhar. Resta esperar e torcer para que dê certo.

Futuro promissor se constrói no presente

O que não cola mesmo, pelo menos para a imprensa é a tal da explicação de que a equipe é toda técnica. Alguns dos convidados até são. E sobre alguns deles o que fica fácil perceber é que são opções e articulações emplacadas por Eduardo, de olho lá na frente. Ao que parece já trabalhando para construir um novo grupo e com ele marchar em 2014.Só que antes disso tem 2011, 2012...

Para buscar um retorno como herdeiro político de seu pai - algo que ninguém pode dizer que seja ilegítimo - Eduardo terá que primeiro ajeitar os que já foram conquistados nesta etapa de retomada do Palácio Araguaia.

Além disso, afinar o discurso, por que quem de público muito explica, desqualifica. E deixa sem entender os que facilmente podem ser desamardos com uma boa conversa de pé de ouvido.

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