A festa do PMDB nesta quarta-feira, 30 de junho de 2010 tem tudo para se destacar na história da política tocantinense. De alianças, a partir de hoje, PT e PMDB podem encurtar o caminho rumo à conquista da vitória eleitoral, juntamente com o PSB, PDT, PPS, PSL, PSDC e PHS. Mas ainda está faltando alguém. Eu não me esqueci dele, e creio que o PMDB, também não. Convencional importante, ele assegura que vai comparecer. “Só para votar”. Enquanto escrevo, às 22h15, na véspera da Convenção, bate um receio de que a grandeza da festa do PMDB possa ficar um pouco menor, sem Moisés Avelino.
Apesar dos milhares de peemedebistas, que juntamente com os aliados vão tornar pequena, a grande área, do Paço Municipal, a ausência de Avelino será sentida, principalmente por companheiros de longa data, como seria sentida a ausência do velho Derval de guerra e tantos outros, com históricos de luta contra a ditadura, e a favor da liberdade democrática.Certamente o nome de Avelino será lembrado por Marcelo Miranda, Osvaldo Reis, e porque não, Gaguim? Moisés Avelino vai fazer falta, sim.
Embora militante desimportante desse “Jequitibá maduro” chamado PMDB, na tarde desta terça-feira, 29, telefonei para o companheiro, Moisés Avelino. A pretensão era demovê-lo da decisão de não acompanhar o PMDB nestas eleições. Mesmo conhecendo uma parcela de suas razões, penso que qualquer um poderia tomar essa decisão. Avelino, não!
Quem passou pelas intempéries de tempos difíceis, recorda de um período em que nada, nem ninguém, podia lembrar o Governo Avelino. E essas pessoas, não concordam com Dr. Moisés, se unir ao seu algoz, nestas eleições. Moisés Avelino era o maior ícone da resistência contra a opressão. Quem foi perseguido por ser peemedebista, nos tempos em que instituições subservientes, “agachadas e anêmicas”, permitiam uma justiça caolha, em vez de cega, também não quer concordar com a rebeldia desse bravo companheiro, que pode até ser justa.
Com argumentos de aprendiz, mas com a ousadia dos malucos, lembrei ao Dr. Moisés que ouvindo seus discursos, aprendi que “o bom político precisa ter o dom da renúncia”. E com a franqueza que me fez e faz sofrer, inclusive em governos do PMDB, provoquei-o, instigando-o a renunciar sua decisão, na esperança de vê-lo somando no partido onde ele é uma referência. “Já renunciei demais”, respondeu um Moisés decepcionado.
Insisti. Argumentei que, como bom médico, ele sabe cuidar dos hematomas deixados pelas cotoveladas, melhor que nós, militantes desimportantes, que tudo supera por dedicação ao partido. Mas diferente de Derval, que citando Neruda diz não ter tempo para suas dores, Avelino sinaliza, que Respeito e Consideração, sem Intermediários, seriam os remédios para suas feridas, no tempo certo, haja vista seus 70 anos de vida, a maioria dos quais, dedicados ao PMDB.
Conversando com Dr. Moisés, a impressão que fica, é que embora suas feridas datem da mesma época de nossas cicatrizes, elas ainda estão sangrando, como em indigentes tratados em hospitais de descaso. Apenas estagiários sem credibilidade fizeram curativos nelas. Nenhum médico o consultou. E até históricos amigos se distanciaram dele, quem sabe, para não se deparar com a verdade, ao olhá-lo profundamente nos olhos.
Dizem os políticos mais antigos, que não se faz política sem vítima. Mas vítima para que e por quê? Em minha opinião, a festa desta convenção tem tudo para ser perfeita, se velhos amigos, companheiros de peemedebismo e mesmo os anfitriões da grande festa, dialogarem com Avelino, sem intermediários. Se já o fizeram, não custa tentar de novo!
É bíblico que precisamos ser pacientes e tolerantes com quem sofre e para essa festa ficar mais bonita, o que Avelino merece ao chegar à Convenção, não é crítica nem desconfiança, é boa acolhida, de preferência, com aplausos.
Gilvan Nolêto
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