No pós debate: alegria de uns, preocupação de outros e o efeito Ribeiro

O debate de ontem derrubou uma pauta que estou levantando desde segunda-feira, e que só não foi ao ar ontem por que três fontes oficiais estavam por aí fazendo campanha com o celular desligado. Agora não dá mais. O debate literalmente jogou fora todo...

Vou contar o milagre e guardar o nome dos santos. Só por que entrou água, literalmente no acordo que pelo menos nove nomes de peso das chapas proporcionais da Força do Povo, haviam selado “interna corporis”, de apoiar João Ribeiro (PR) para o Senado. Tem federal graúdo, tem estadual bem posicionado na disputa pela reeleição que já estava pronto para anunciar a dobradinha Marcelo e Ribeiro para o Senado.

Quem convive nos bastidores da política tocantinense e tem proximidade com os artífices das alianças sabe do que estou falando. Para quem não convive, cá estou eu para contar mais esta: no fio do bigode muitos acordos foram selados nos últimos dias, sem qualquer resistência do governador Carlos Gaguim (PMDB), entre peemedebistas e gaguistas em geral, com Ribeiro.

Lembrando uma página triste da história

A coisa caminhava bem até o final do segundo tempo do debate da Band de ontem. Na hora de responder sobre corrupção, o governador citou a história de triste lembrança para Ribeiro e ribeiristas: aquela página amarga da intervenção em Araguaína. Gaguim diz que foi mal interpretado. Ouvindo de volta o final do último bloco percebe-se que da frase mal articulada do governador veio a polêmica toda.

Resumindo, mesmo não tenha tido a intenção de macular a candidatura de Ribeiro com a pecha da corrupção, Gaguim juntou na mesma frase o nome do senador, a palavra maldita e o passado da intervenção em Araguaína. Foi pólvora bastante para o estopim de Ribeiro estourar. Daí vieram as declarações em primeira mão no nosso Site RT.

Em seguida, veio a ligação do governador Gaguim nas primeiras horas da madrugada desta sexta-, 13, chateado com o que leu, e respondendo no mesmo tom. Há dois dias encontrei um prefeito Ribeirista de carteirinha, mas Gaguista acima de tudo, feliz e satisfeito com o acordo entre seu federal e o senador. Estava contando as horas para a oficialização da união.

A tranquilidade como vantagem

O certo é que o debate terminava muito melhor para Gaguim do que para Siqueira, considerando que a performance do governador surpreendeu até sua militância. Firme, tranqüilo, Gaguim mostrou maior domínio de si e da situação na maior parte do tempo. Mesmo constantemente provocado por termos como “mentiroso” e “cara de pau”, pelo adversário.

Não estou falando de propostas. Estas, todos são unânimes em concordar que não existiram. Gaguim falou de planos, Siqueira do que já fez. O resto foi para o campo da denúncia, e da associação de interesses pessoais misturados com os negócios de Estado. Ouvi de um amigo democrata esta manhã que o melhor favor que Gaguim fez à Siqueira no fim da noite de ontem foi “descer o senador de cima do muro”.

Mais firme com Siqueira

Ninguém ouviu de Ribeiro nos últimos dias que ele não estivesse com Siqueira. O problema é que seus prefeitos, boa parte deles, não estavam. Agora o mal entendido da fala de Gaguim, se é possível chamar assim, ganhou e deu outras proporções aos fatos. Ribeiro no ditado popular “chutou o pau da barraca” e revelou até ter sido convidado para ocupar a vaga de Mourão.

Gaguim por sua vez escancarou conversa em que o senador teria dito que só estava esperando setembro para abandonar a nau Siqueirista. Como sempre cada um acredita em quem quer. O que sei é que o debate mostrou nitidamente os pontos frágeis de cada um dos candidatos. O que foi razão de alegria para uns, foi causa de preocupação para outros.

Mas o efeito Ribeiro - aquele que todos desejavam ter ao seu lado, de Kátia a Raul, passando por Gaguim e Siqueira - é para mim o que sobrou de tudo que se viu ontem. Pelo menos a médio prazo. No mais, outros debates virão. E os assessores que não estiverem cegos demais pela paixão e desejo de vitória, vão trabalhar melhor a razão e chamar seus candidatos à realidade. Falta muito ainda para que qualquer um deles durma o sono do vencedor.

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