No Tocantins, a história do PMDB é maior que os equívocos de uma campanha

Acordei esta madrugada preocupada com tudo que ainda pode acontecer nesta semana que precede as eleições no Tocantins. Os últimos dez dias, desde aquele sábado em que fomos todos surpreendidos pelas manchetes do Estadão, mudaram o rumo desta eleição....

Não me proponho hoje a discutir o mérito dos fatos que vieram à tona com a investigação promovida pelo Ministério Público Estadual de São Paulo. O tempo se encarregará de mostrar, fora da temperatura quente que cerca uma sucessão de governador, o que há de verdade ou não nos indícios de fraude que o relatório das autoridades paulistas aponta.

Minha análise de hoje se atém à história do PMDB, que deveria servir como um norte para aqueles que estão nas ruas defendendo a bandeira da reeleição. Tenho visto gente de valor andando cabisbaixa ultimamente sem entender os rumos que a disputa tomou. Ontem à tarde de frente ao TRE, a cena mais inusitada da campanha foi ver um movimento de rua pela liberdade de expressão ser comandado pelas lideranças dos partidos conservadores do Estado. Cabem aqui algumas considerações sobre tudo o que está acontecendo.

Uma história é maior que um equívoco

Me perguntaram ontem, no Portal Terra, se eu acho que a ação da Força do Povo que levou à liminar que silenciou 84 veículos transferiu a pecha de “ditador” de um para outro candidato. Penso que a história dos dois grupos é maior e mais complexa do que este episódio. Resumindo: basta que o PMDB olhe para trás e se mire no seu histórico de lutas, para perceber que ele é maior do que o equívoco cometido, não se sabe por quem, num momento de crise numa campanha política.

Tenho sido questionada nos últimos dias pelas manchetes mais recentes estampadas neste portal de notícias não serem exatamente positivas para o governo. É uma estranha inversão que tenta responsabilizar o veículo pelos fatos que ele não gera, mas repercute, por que não pode ignorar. Quem está pago para pensar uma campanha e gerar seus fatos positivos não o faz e a culpa então... é da imprensa.

Algumas coisas que foram ditas aqui neste espaço de análise e opinião nos últimos meses, vale a pena relembrar. Primeiro, que diferente do cenário vendido por aqueles que faturam com inúmeras pesquisas, a disputa já vem equilibrada há algum tempo. Dizer ao governador que ele tem doze pontos de frente sobre seu adversário é enganá-lo para faturar. Segundo, que a capacidade de gerar um fato novo na reta final de uma eleição, é determinante. Em dez dias a coligação encabeçada por PMDB e PT gerou apenas a vinda de Lula ao Tocantins, e que não foi bem aproveitada.

Gaguim fez a correção da rota

Nesta terça-feira em que faltam cinco dias para o grande dia da escolha chegar, tenho duas observações a fazer: a serenidade é a melhor companheira para quem não quer perder o rumo e a eleição ainda não está decidida.

Um palanque que tem os partidos que lutaram pela abertura democrática não assina uma decisão tão esdrúxula, antipática e anti democrática. Sob pena de entregar as bandeiras pelas quais lutou toda uma vida, nas mãos da oposição. Ao entrar com outra ação ontem na tentativa de corrigir este erro, o governador Carlos Gaguim demonstrou compreender bem esta situação e ter capacidade de fazer ajustes em sua rota.

Nestes tempos em que tudo parece se inverter, faz-se necessário uma boa olhada no espelho da história. No Tocantins, o PMDB de verdade é  maior que estes equívocos da reta final de uma campanha. Pelo menos até aqui.

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