Nos bastidores da COP 16, até a máquina de coca-cola mudou para agredir menos o ambiente

No cenário hollywodiano de Cancún, feita para turista americano vir gastar seus dólares (e na baixa temporada, a classe média brasileira também) acontece o encontro mais exótico de pessoas diferentes, defendendo idéias e limites diferentes sobre a qu...

O esvaziamento de grandes líderes na COP 16 começapelo Brasil já que Lula não veio este ano, Dilma, a presidenta eleita também não. Conversando com o paulista Walter Estella, tradutor habituado a trabalhar nas conferências, fico sabendo que ano passado desfilaram por lá além dos nossos, de Barack Obama a Sarcozi. “Nesta COP talvez tenha um terço do público da anterior”, conta ele com saudade do frio europeu.

Se os presidentes não vieram na sua maioria expressiva, ouço aqui, é por conta dos interesses contrariados com as negociações que os maiores emissores de gases do mundo não querem fazer. Quinta-feira, 9, é o dia final em que será fechado o documento desta COP, fruto das rodadas de negociações.

O que muda? Vamos esperar para ver. Mas aqui, algumas coisas já estão diferentes. São pequenos hábitos e soluções que demonstram a preocupação das empresas em se adaptarem a novos tempos. Reciclar o lixo, usar a tecnologia para poluir e esquentar menos o planeta tornou-se mais que uma obrigação, quase uma obsessão.

Copos de papel, máquinas de refri diferenciadas

Do banheiro à máquina de refrigerantes, passando pelos copos descartáveis que não são mais de plástico, tudo chama a atenção. Os banheiros do centro de convenção não têm pias, mas bancadas de pedra,cujo nível joga a água que jorra das torneiras para o canto,onde uma outra peça um pouco mais baixa recolhe os líquidos e deixa, também pelo desnível, que eles sejam recolhidos. Nada de cubas.

O papel higiênico é pardo, reciclado. Nada daquele branquinho, fofinho. Só no hotel, bem longe do Messi e do Moon Palace, dois dos locais que mais concentram os eventos da agenda principal e paralela da conferência.

E as máquinas de coca-cola, agora são novíssimas, e trazem o aviso informando que foram desenvolvidas com nova tecnologia para evitar a agressão à camada de ozônio. É só colocar as moedas e beber sem culpa.

ONG"s dão show à parte

Nesta terça vi dois “shows” com direito a discurso, performances e cenário montados por ativistas para atrair a atenção da mídia composta por profissionais de imprensa de todo mundo. Nos corredores de acesso aos pavilhões onde acontecem os diversos debates, uma ONG que atua contra o desmatamento tinha ativistas jogados pelo chão, fantasiados de animais e árvores artificiais cortadas transformando-se em carvão enquanto um americano de cabelos louros e barba mal feita, com um indefectível brinquinho, bradava palavras de ordem e interceptava os visitantes.

Outra, na volta, trazia um ativista vestido de urso polar branco, enorme, numa fantasia bem convincente sendo entrevistado enquanto outros ativistas exibiam cartazes.

Nas praças improvisadas, o encontro entre os diferentes

Fora tudo isto, as praças e ambientes de convivência improvisados com palco, cafeterias, barracas de comida onde se pode encontrar de tacos ao churrasco mexicano (sem repressão das ONG´s) formam um cenário a parte. Europeus, árabes, africanos, americanos e brasileiros, muitos brasileiros caminham, conversam, trocam impressões. De um funcionário da ONU no setor de credenciamento ouvi que este ano há bem mais brasileiros na COP. Pudera, está bem mais perto e mais fácil comparecer à conferência e ver tantos protagonistas do debate sobre a defesa das fontes renováveis de vida no planeta tão de perto.

De Marina Silva no vôo (classe executiva, toda enrolada num chalé imenso) à ministra Izabela e o embaixador brasileiro no México (almoçando no Moon Palace), vi brasileiros de todas as vertentes. Além é claro da senadora Kátia Abreu, que incendeia qualquer debate do qual participe, seja ela a protagonista principal ou não.

Além do mar azul (sem photoshop) e da beleza estonteante de Cancún, há muito que se ver na COP 16. Especialmente se olharmos além dos discursos previsíveis que tornaram a conferência menos prestigiada este ano.

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