Os comissionados ainda não estavam de corpo inteiro na campanha de Carlos Gaguim até ontem de manhã. A pesquisa Ibope divulgada na quarta-feira à noite deu o choque que faltava em milhares de servidores que ocupam os chamados “cargos de confiança”, mesmo exercendo funções diversas, técnicas, cujos cargos deveriam ser ocupados por concurso, mas não o foram.
O comício de Gaguim ontem em Taquaralto tinha, sem sombra de dúvida, o dobro de veículos estacionados nas imediações do palanque do que o comício do adversário, próximo dalí, no Jardim Aureny I. Tinha também milhares de ouvintes, em sua maioria, funcionários públicos, além da claque dos candidatos e da militância. A mobilização pós pesquisa Ibope - que até outro dia era instituto tido como sério na campanha governista, do qual não se podia falar - foi intensa nas secretarias ontem, e continua hoje.
Promessa não pode ser cumprida
Na verdade os cargos são de confiança mesmo, e o que o político que indica, e o que nomeia espera dos nomeados é reciprocidade no apoio na hora em que mais precisam: a do voto. Não há nada de ilegítimo da parte do governador de buscar este apoio, e nada de estranho em que o servidor comissionado – mesmo trabalhando para garantir seu contracheque no fim do mês – retribua a oportunidade de trabalhar no Estado, com direito a Plan Saúde e tudo mais.
O problema é que esta situação já chegou no seu limite no Tocantins. Por duas vezes os comissionados receberam aviso prévio da justiça. O governo Marcelo Miranda, assinou termo de ajuste de conduta com o Ministério Público Estadual e fez realizar o concurso do Quadro Geral do Estado. Mais de 104 mil pessoas se inscreveram. Ávidos pelo grito de independência, que garantiria aos concursados o direito de ficar em casa sem ser coagido a participar de nada que não queira, os servidores comissionados também se inscreveram.
Mas o concurso do Quadro Geral está lá nas barras do Tribunal de Justiça, paralisado sem solução, por conta de uma ação interminável. Mesmo assim, a justiça voltou a determinar,e desta vez deu prazo, que comissionados sejam substituídos por concursados. Em um ano isso terá que ser feito, e não cabe mais apelação.
Sendo assim, com que possibilidade de efetivamente fazer o governador Carlos Gaguim promete em praça pública que sua caneta não vai demitir? Com base em que lei, em que recurso, isso será possível?
Soa promessa eleitoral. Se perder as eleições, o governador começará as exonerações logo em seguida, começando pelos adversários. Se ganhar, não poderá se furtar a cumprir o que a justiça determinou.
Hostilizar a imprensa adianta?
No comício de ontem, perdi a primeira parte, onde o prefeito Raul Filho (PT), tratado com toda a deferência e benevolência pela imprensa local diante das limitações que sua administração exibe na capital, virou baterias contra os veículos de comunicação. É decepcionante vindo dele, sempre tão capaz de conviver com as diferenças.
O governador Carlos Gaguim, por sua vez foi o melhor governador da história para as empresas de comunicação. Pagou em dia as veiculações e inserções institucionais do governo em TV’s, jornais e portais de Internet. De nossa parte permitiu a consolidação do Site Roberta Tum, com a política de comunicação adotada nos últimos meses.
Mas este dinheiro investido em comunicação é do povo e para ele deve voltar, transformado em informação verdadeira. É isso que parece tão difícil a assessores e partidários entender. Percebi com preocupação a tentativa de hostilizar nossa equipe nos palanques ontem insistindo em que fotografássemos a praça lotada, com provocações do tipo: “estão vendo? Esta é “a verdadeira pesquisa”.
Nós não fazemos pesquisas. Publicamos todas as registradas no TRE, por mais suspeitas que pudessem ser. E deixamos para o leitor/eleitor a missão de decidir.
Aqui lutamos todos os dias contra pressões e dificuldades, para fazer jornalismo. Do crítico, que já incomodou aos dois grupos em momentos diferentes ao longo desta campanha. Podemos agir assim, por que não prometemos dar apoio incondicional a nenhum dos dois candidatos. Por mais que alguns não tenham entendido isto.
O problema dos comissionados no estado do Tocantins é sério. Quem dera pudesse ser resolvido com uma simples promessa de campanha.
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