O jogo endureceu na Assembléia Legislativa nesta manhã de quarta-feira. Tudo pode acontecer nos próximos dias diante do exercício das prerrogativas que os cargos de presidente da Casa e presidente da Comissão de Finanças deram à Júnior Coimbra e Sandoval Cardoso.
O primeiro vai para Brasília no começo de fevereiro. O segundo permanece na Casa, mas se gaba de ter a autonomia necessária para não se curvar à vontade do governo em troca de cargos, indicações e coisas do gênero, que faz o dia a dia da política tocantinense.
Diante do fato de que não articulou o envio para a Casa na primeira semana, da convocação do governador, o grupo de sustentação de Siqueira tenta agora achar a saída para colocar em votação a alteração da LDO. Se cumpridos os prazos regimentais que Coimbra e Cardoso fazem questão de manter, a conversa é com a nova Assembléia, em fevereiro. E nela, garantem os oposicionistas, o governo não tem maioria.
Acordo com poderes pode ser alternativa
Entre as alternativas que a bancada de apoio do governo discute para destravar a pauta estão um acordo em torno dos índices com os próprios poderes, um acordo que preserve os índices da Casa e mecha nos outros, mas até um impeachment contra o presidente Júnior Coimbra, que chegou a ser cogitado mais cedo.
É que ao endurecer no tom e mandar os governistas brigarem na justiça, Júnior Coimbra provocou a reação dos deputados que já viviam sob o comando da maioria que era Gaguim até dezembro. Mudou a conta, mas não mudaram os cargos chaves. E por isso o presidente mantém o controle da Casa.
O caminho do acordo pode ser melhor do que o confronto judicial para todos. No passado, como bem lembram os governistas, os deputados aprovaram alteração na LDO depois de votada. Agora, justificam que um acordo amparou a mudança, que era para mais e não para menos.
Zé Augusto e Sandoval crescem rumo à presidência
Ocorre que discretamente outro processo começa a acontecer nos bastidores: o fortalecimento do deputado José Augusto Pugliese como articulador da oposição para um segundo momento. Ele tem mais experiência no jogo político em virtude dos mandatos que já ocupou. Mas não está sozinho: o endurecimento na hora da briga fez crescer também o nome de Sandoval Cardoso.
Com a saída de Coimbra da cena estadual, Zé Augusto no entanto se mostra mais e pavimenta caminho para ser o elo de ligação entre as duas assembléias: a que sai e a que entra. Pode sair fortalecido para a presidência, por mais que diga que não há nomes ainda em discussão.
O Tocantins nunca assistiu a cena que pode se desenhar nas próximas semanas: executivo sob o comando de um grupo, e legislativo sob o comando de outro. Nos corredores já tem gente dizendo que a primeira semana do novo governo foi de flores, mas que a segunda segue de espinhos. Resta ver o que serão os próximos meses.
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