Gosto de começar artigos contando histórias, especialmente por que as coisas estão todas interligadas e na política, mais rápido que na vida, as situações tendem a se repetir. Observando a atuação de alguns “generais” eleitorais do governador Carlos Gaguim nos últimos dias, percebi uma prática que causa incômodo a todos nós que gostamos de política, e a entendemos como a arte da conquista. A mais difícil de todas, por que envolve a razão (o convencimento de que um caminho é melhor que outro) e a emoção (o acreditar, o se identificar, em última instância se apaixonar).
Tem gente achando que o voto além de obrigatório, é compulsório. E não é. Exemplo: Em 2008 eu era servidora pública comissionada quando fui convidada para uma reunião no Ahãdu, cujos convites foram feitos em nome do então governador Marcelo Miranda (PMDB), para pedir votos para sua candidata a prefeita, a já deputada federal Nilmar.
Chegando lá fiquei impressionada com a falta de sensibilidade dos “coordenadores”. Primeiro erro: consideraram previamente que todos os que ali estavam, por ocuparem cargos de confiança, ou por serem servidores comissionados, votavam “automaticamente” em Nilmar. Não votavam. Ficou comprovado no final da campanha.
Por votar em Marcelo, pertencer ao seu time de confiança, estarem ligados de alguma maneira a alguém daquele grupo (deputados, prefeitos, vereadores), e especialmente por que seus empregos dependiam daquelas pessoas, todos tinham a tendência - veja bem, tendência – de acompanhar um pedido do governador. Mas voto é uma coisa séria, é o único momento em que todos, qualquer um, vale apenas um: o seu próprio voto. E conquistá-lo requer simpatia, humildade, em síntese: pedir, explicar por que, convencer. Parêntese: estou falando de voto consciente, de formador de opinião.
Dois anos depois, Gaguim sofre com os ignorantes
Agora a história é outra. O governador que se elegeu numa votação indireta concorre à reeleição. Vejam como a situação é intrincada: de um lado existe o servidor concursado, que registra memória de perda de conquistas no governo do adversário de Gaguim, Siqueira Campos, o que faz com que uma parcela tema seu retorno; de outro lado está o servidor comissionado, que sabe que terá que ser substituído dentro de um ano, mas se tem alguma esperança de solução alternativa, ela vem do governo e não da oposição.
Estas pessoas têm uma “tendência” em ficar votar no governador para a reeleição. Mas vão perder facilmente esta vontade se forem coagidas por coordenadores, diretores e secretários a participar de qualquer movimentação “compulsória”. E tem gente pouco inteligente – para dizer pouco – convocando ao invés de convidar, fazendo lista de presença em eventos para controlar quem foi, ou seja: buscando pela força, o que só se obtém pela conquista.
Uma qualidade que o governador tem e que ninguém nega, é a sensibilidade com os problemas do servidor público. É de longe o presidente mais admirado pelos servidores na história da Assembléia Legislativa. Com certeza este Gaguim jamais assistiria uma cena em que “cabos” e “generais” sem noção, jogam fora um patrimônio eleitoral que pode ser facilmente dele. Haja paciência para suportar inabilidade, ignorância e arrogância.
Para quem acha que não há tempo para conquistar o servidor, e que “o jogo tem que ser duro” vou lembrar o case (como dizem os publicitários) da campanha a prefeito de Palmas também em 2008. Houve um momento em que Raul era o terceiro na pesquisa, atrás de Nilmar (a máquina) e Lélis (o novo). Com jeito, simpatia e agregando, ele chegou a prefeito. De novo.
Como diria o ditado, “cuidado com o andor, que o santo é de barro”. Ou parafraseando o poeta, naquela música famosa: “por que gado a gente marca, tange, fere, engorda e mata, mas com gente é diferente!”.
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