As pessoas dizem que com o passar do tempo, com a idade, os cidadãos, de tanto ver barbaridades, perdem a capacidade de se surpreenderem. Eu não! Ainda fico chocada com algumas coisas que vejo e vou citar uma que me assustou essa semana. Estive na Praia da Graciosa, ponto turístico da Capital, e encontrei um ponto turístico abandonado a própria sorte.
No cenário, lixo por toda a parte, denotando que na noite anterior por lá passaram pessoas animadas, porém despreocupadas com a limpeza do ambiente. Além disso, outros sinais do descaso, só que dessa vez ainda mais graves: nos banheiros faltam torneiras, vasos, e, sobretudo, água e sabão. Nas calçadas, faltam bloquetes, deixando buracos que podem causar acidentes. No parquinho, brinquedos mal cuidados se transformam em armadilhas para as crianças que já não frequentam o local, certamente por zelo de seus pais.
Então, me surpreendo como um prefeito, um político pode não se preocupar com o que a população reclama e a imprensa mostra há tantos meses, para não dizer anos? Será que o companheiro não precisa de novos votos para a próxima eleição ou ele conta com o problema de memória que a população sofre? Vale lembrar, que centenas de matérias já foram veiculadas, ‘reveiculadas’, reprisadas, repetidas. Cobranças foram feitas ao vivo em programas televisivos para todos os telespectadores verem e muitas promessas foram feitas dos gerentes, secretários e até mesmo do Prefeito de Palmas, Raul Filho. Mas até agora, muito pouco ou nada foi feito.
Nestas horas, sinto pena dos eleitores brasileiros (e infelizmente estou neste pacote) que ainda não aprenderam a votar. Dão segunda chance a quem não merece de fato e se vêem reféns de uma administração precária e desastrosa. Para os que acham que isso é puro exagero vai a minha justificativa: precária e desastrosa simplesmente porque a cena de abandono e descaso não se encontra somente na Praia da Graciosa, e sim, em toda a cidade. Nas quadras que não têm esgoto, asfalto, energia, não têm lâmpadas, não têm recolhimento de lixo eficaz e algumas nem mesmo o endereço para receber correspondências. Prova da desordem, é que nos sete primeiros meses de 2010, os casos de dengue cresceram mais de 70% em relação aos 12 meses de 2009. Faltam direitos em todos os lugares, sobram mazelas.
Nesta hora, o que prevalece é o jogo do empurra-empurra, esquecendo que a população não quer saber dos problemas, das dificuldades para se cumprir as promessas, que na época de campanha eram tão fáceis de serem realizadas. Queremos sim, ver todas as milhares de promessas de melhoria cumpridas. Mas cadê?
Diante da triste realidade do problema que nunca é resolvido, me vem à mente quem poderia interceder pela população. Ministério Público Estadual, Exército, Governo Federal? Como ninguém faz nada, a apatia surge na população e até mesmo na imprensa que se cansa de cobrar e nunca ver soluções aparecerem.
Penso se isso não estaria resolvido, se os prefeitos fossem contratados da população por um prazo de seis meses, prorrogável por mais seis e mais seis, se assim merecessem. Em vez de eleições, um contrato faria o papel dos órgãos fiscalizadores, que em Palmas não conseguem fazer com que o Município efetivamente trabalhe. Assim os gestores teriam que provar a cada dia seu desempenho como administrador público, colocando um fim à essa estabilidade tão desagradável para os palmenses Não parece ótimo?
Mas enquanto isso não acontece, proponho então uma nova manifestação. Sim, manifesto parecido com aquele em que se viam pelas ruas palavras enfáticas pedindo ao nobre prefeito que pagasse suas dívidas com seus trabalhadores de campanha eleitoral. Em vez de ‘Paga, Raul!’, vamos agora de ‘Arruma, Raul!’, com uma enorme fé, comum a todos os brasileiros, de ver dessa vez o prefeito assumir seu compromisso como gestor público e não brincar novamente de empurra-empurra com quem quer que seja, imputando a outro uma culpa que na verdade é totalmente sua.
Arruma, Raul!
Andressa Figueiredo, jornalista e moradora de Palmas há 14 anos.
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