Com bom humor para revelar a prudência de quem conhece o pai que tem, o coordenador da equipe de transição, Eduardo Siqueira Campos esquivou-se com uma brincadeira neste sábado na ampla entrevista que me concedeu mais cedo, a falar sobre secretariado: “olha eu até admiro a agilidade da presidente Dilma em começar a anunciar seus ministros, mas aqui só quem fala sobre este assunto é José Wilson Siqueira Campos, depois do dia 15 de dezembro”.
Este é o assunto que pauta todas as rodas políticas do momento. Quem é de partido, espera com ansiedade ser chamado no escritório da 21, com alguma sinalização do Velho Siqueira, de que participará do governo. Os poucos que se arriscam a confirmar que já receberam sinal de que estarão na equipe, não adiantam muito mais. Até porque a maioria nem sabe direito onde será chamado a colaborar com o aquele que – propala-se nos bastidores – deve entrar para a história como o melhor governo Siqueira.
Entre todas as coisas que tenho ouvido, e especialmente entre todos os nomes que têm sido objeto de especulações e “informações quentes” que chegam via email dos que querem plantar notas para favorecer os seus, ou queimar os outros, alguns se destacam. Aproveitando a presença de Vicentinho perguntei a ele sobre os rumores que tenho escutado de que após assumir cadeira no Senado ele viria para a Secretaria de Governo no Estado.
Vicentinho está pronto para ser Senador ou secretário
“Olha eu sou soldado. Estou pronto para assumir e desempenhar meu papel como senador em Brasília, assim como estou pronto para contribuir aqui se for chamado. Mas ainda não fui convidado”, revelou na conversa após a coletiva. É o jeito de ser do deputado federal que não deixou de ser Siqueira nos últimos anos, tempos de dificuldades, vacas magras e descrédito da maioria dos companheiros no retorno do ex-governador.
Caso a articulação se confirme, assumirá em Brasília o primeiro suplente de Vicentinho, o advogado João Carlos Costa que tocou a ação do Rced em Brasília nos últimos anos e justamente pela sua importância no processo, foi premiado com a suplência do Senado. Assumindo, realiza um sonho antigo, segundo contam seus mais próximos.
Ribeiro defende articulações após a posse
O senador João Ribeiro,por sua vez, já declarou ao Site RT na semana que passou, ter como prioridade a articulação de apoio na Assembléia Legislativa para garantir ao governador eleito, condições de fazer as mudanças que necessita e pretende para implantar o novo governo. Conversando com ele neste sábado ouvi que nenhuma conversação avançará neste sentido antes da posse. “Depois que o Siqueira assumir é que será o momento apropriado para começar a conversar com os deputados”, disse.
No próprio PR, Ribeiro terá pela frente estabelecer uma relação respeitosa, pelo menos, entre o deputado Stálin Bucar e o governador eleito. Mas fora do seu partido, é sabida a influência e o poder de articulação do senador, já demonstrado anteriormente.
Eduardo Siqueira por sua vez tem dado um tom conciliador à conversa. “Dialogar, articular, é próprio da atividade parlamentar, está na essência dela. Eu não acredito em paredão na Assembléia contra medidas de interesse da população do Estado”, disse mais cedo.
Volta de Siqueira marca abertura da conversa com aliados
O retorno do governador eleito deve marcar, ao que indicam as conversações nesta manhã, um novo momento no processo de transição. Agora é Siqueira quem deverá começar a chamar para conversar, aliados, líderes partidários, gente que somou para o resultado favorável das eleições. Desde os grandes líderes, como Kátia Abreu e João Ribeiro, aos menores partidos, como o PTN, de Júnior Luiz, que protocolou a famosa ação das bicicletinhas que seriam distribuídas aos Pioneiros Mirins, cada um fez a sua parte.
Nas entrelinhas dos discursos de cada líder partidário, está a expectativa e a esperança de ter seus quadros aproveitados da melhor maneira possível. Resta ver a condução que o governador eleito dará ao assunto. Nem o filho Eduardo parece muito disposto a interferir além do limite permitido pelo pai, que guardará - como é do seu estilo – a decisão final sobre cada caso para si.
Afinal, a responsabilidade de fazer um bom governo e de atender a grandes – para não dizer enormes – expectativas é do Velho Siqueira. Ninguém mais que ele acreditou que era possível dar a volta por cima. Nada mais justo que seu novo governo tenha a formação que do alto de sua experiência administrativa e política, ele julgar que seja a melhor para cumprir a obrigação que o povo lhe confiou.
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