A campanha começou de direito, mas pouca movimentação se vê de fato nas ruas. O motivo? Falta dinheiro nos cofres dos comitês financeiros, e consequentemente falta nas ruas algo que se resume com uma palavra que causa horror a todo coordenador de campanha: estrutura.
Traduzindo, hoje se pode ver pouca coisa em termos de presença visual dos candidatos. Faltam carros de som (o que se ouve é quase nada) e com raras exceções, são os jingles dos candidatos majoritários que se fazem ouvir espaçadamente aqui e acolá.
Faltam muros pintados e mini doors, mas principalmente falta gente. Falta às duas campanhas presença forte da militância nas ruas pedindo voto para os candidatos. Não por que seja cedo, embora este problema tenha que ser resolvido nas próximas semanas, mas por que ao que tudo indica os patrocinadores tradicionais de campanhas este ano estejam ressabiados com a lei, mais dura, e com a conseqüência de seus investimentos em candidatos.
Pior para os proporcionais
Diferente da campanha majoritária, que flui quase por si só, já que a disputa está polarizada, a luta dos proporcionais por voto é uma coisa selvagem. São muitos candidatos, e o nível digamos, de “profissionalização” das lideranças é espantoso. Sem uma rede de puxadores de votos, fica difícil, principalmente nas maiores cidades, que os candidatos proporcionais conquistem seu espaço. E na prática, são os proporcionais que pedem o voto para os senadores e governador.
Resumindo, estrutura básica quer dizer papel, carro, gasolina, carro de som, manutenção de pontos de apoio, salário para os que vão às ruas distribuir panfletos, pedir votos, sacudir bandeiras. Ninguém pode trabalhar de graça. Mesmo os voluntários precisam estimar quanto vale o seu trabalho, e “doá-lo”, legalmente. Com isso, tem vantagem os que tem recursos próprios e não dependem da captação dos comitês centrais para movimentar suas campanhas.
Numa eleição em que o grau de apatia do eleitorado é proporcional à descrença na atuação política, os que mais se movimentarem buscando despertar o interesse, envolvimento e até a paixão do eleitor, chegarão na frente. O problema é o combustível que está faltando neste começo de campanha. Ao que parece, para os dois grupos.
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