Um médico, por favor!

A articulista e escritora Yanna Barbosa neste artigo sobre a nova relação médico - paciente. O que mudou com relação ao médico e hoje e o de antigamente? E o paciente? Confira!...

Pois é, enquanto o debate fervia na Band, eu assistia a uma palestra do Dr. Dário Birolini, Professor da USP e um dos grandes nomes do Hospital das Clínicas de São Paulo. Ali sim a saúde foi discutida de forma séria e objetiva.

Uma figura ímpar. Lembra um pouco aqueles retratos do Freud. Com uma voz mansa e pausada, ele aborda o tema “Análise crítica da medicina atual no Brasil”.

Formado em 1961, ainda é um dos médicos mais requisitados de São Paulo. E esse tempo todo de atuação na medicina dá a ele o direito de fazer, com maestria, tal análise. Como a maioria de vocês estava ocupada se deliciando com as pérolas de um debate entre os dois candidatos, passo para vocês algumas observações sobre a palestra.

“Antigamente, a relação médico paciente era a de um “Semi-Deus” e um “pecador”. Hoje temos um prestador do serviço de saúde e um usuário de serviço de saúde acompanhado de um advogado. Qualquer semelhança com um supermercado é mera coincidência”

“O paciente chega ao médico com o diagnóstico pronto e já coloca quais os exames que quer fazer. Todo procedimento deve ser assinado pelo paciente anteriormente, num ato de concordância. Todos os riscos devem ser descritos minuciosamente. Acabou a relação de confiança.”

Colocou um organograma de um hospital antigamente – Um médico, uma enfermeira, um raio X e um laboratório. E logo em seguida apresentou um organograma atual. UTI, Endoscopia, ressonância, fisioterapeuta, laboratórios, nutricionista, enfermeiros e por último, um médico. Era pra ter melhorado! O que falta então?

Ouvindo ele falar, me lembrei do Dr. Tadeu. Quem vive em Palmas há mais tempo vai lembrar dele. Uma ficha pequena e uma letra menor ainda contrastavam com o tamanho daquele médico. Em meio a tantas especialidades, procurar o Dr. Tadeu para “tudo” era uma maravilha.

Sinto falta de um médico assim. Adoro meus especialistas. Confio em cada um deles, mas queria um que me olhasse como um todo. Bom, enquanto não encontro o que procuro, vou fazendo como disse o Dr. Dário. Chegando ao consultório com o diagnóstico pronto, checando os resultados dos exames e me receitando na farmácia, com aquele funcionário antigo que geralmente muda o remédio prescrito pelo médico.

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