A paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro recebeu, no último sábado (9), a Romaria Padre Josimo, evento bienal que percorre diferentes municípios do Bico do Papagaio. O encontro reuniu romeiros, lideranças sociais e autoridades religiosas para celebrar a memória do sacerdote, assassinado em 1986 em decorrência de sua atuação na defesa dos trabalhadores rurais.
A programação teve início à tarde com uma caminhada de três quilômetros, da entrada da cidade até a paróquia onde o corpo de Josimo foi inicialmente sepultado. Durante o trajeto, os participantes entoaram cantos coletivos e compartilharam relatos sobre a convivência com o "Padre dos Pobres". Para o romeiro Erismar Araújo, a trajetória do sacerdote marcou profundamente a vida da comunidade local. “Josimo é meu herói”, afirmou.
O bispo da diocese de Tocantinópolis, Dom Carlos Henrique Silva Oliveira, presidiu a missa e pontuou o legado político e espiritual do homenageado. “A compreensão de que Josimo foi um mártir na luta por terra, trabalho e pão é inegável”, frisou o bispo diante de uma congregação que lotou o espaço interno e externo da igreja.
Legado social e cultura
A influência de Padre Josimo na organização sindical e social da região também foi pautada pelos participantes. Maria Senhora, moradora de Esperantina, atribui ao sacerdote o despertar para a luta por direitos. “O Bico do Papagaio só conseguiu dignidade depois de muita luta, e foi ele quem começou tudo isso por aqui”, declarou. Organizações como a Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO) são apontadas como desdobramentos diretos desse engajamento histórico.
Após a celebração religiosa, a noite encerrou-se com apresentações culturais em um palco montado em frente à paróquia. Entre as atrações, a quadrilha Junina Tradição, de Esperantina, encenou a trajetória biográfica do padre, desde o seu nascimento até o seu legado como mártir das causas camponesas.
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