Profissional com mais de 35 anos de atuação no Tocantins, a jornalista Roberta Tum informa que ingressará ainda nesta sexta-feira, 29, com medidas judiciais para reaver o acesso às suas contas nas redes sociais, derrubadas na noite do dia 15 de maio durante o evento de lançamento da pré-candidatura de Vicentinho Júnior ao Governo do Estado em Porto Nacional.
A judicialização do caso ocorre em sequência ao registro do Boletim de Ocorrência nº 00048512/2026 , oficializado na Divisão Especializada de Repressão a Crimes Cibernéticos, em Palmas, que investiga o caso e busca identificar os autores do ataque, de modo a responsabilizá-los criminalmente. Para Roberta, a derrubada de redes é uma prática a ser coibida e regulada ainda nesta eleição. "Isso vai ter que acontecer porque senão muita gente vai ser prejudicada por esse tipo de problema", alerta.
Entenda o ataque e a "guerra de narrativas"
O bloqueio do perfil da jornalista (@robertatumsoueu), que contava com cerca de 14.400 seguidores orgânicos , ocorreu na noite do dia 15 de maio. Roberta realizava a cobertura dos bastidores do lançamento da pré-candidatura de Vicentinho Júnior ao governo do Estado, no município de Porto Nacional.
Aproximadamente dez minutos após publicar um vídeo que registrava a adesão da ex-prefeita de Palmas, Cíntia Ribeiro, ao palanque do pré-candidato, a página sofreu um ataque automatizado. A jornalista suspeita de motivação política por parte de concorrentes alinhados à campanha adversária. Segundo ela, publicações do dia seguinte afirmavam que o evento político estava vazio, enquanto o seu vídeo comprovava que o local estava lotado, o que configurou uma "guerra de narrativas".
O mecanismo de bloqueio da Meta e prejuízos acumulados
De acordo com o depoimento técnico das vítimas à polícia, os criminosos contrataram serviços de automação ("bots") voltados para impulsionar postagens. Contudo, a ferramenta foi usada de forma maliciosa para simular uma atividade incomum. O sistema de inteligência artificial (IA) da plataforma Meta (responsável pelo Instagram e Facebook) detectou a ação artificial, interpretou-a como violação das regras da comunidade e efetuou o bloqueio automático da conta. A empresa estipulou um prazo de até 180 dias para analisar a apelação enviada pela jornalista.
O bloqueio gerou um efeito em cascata, derrubando todas as contas vinculadas à central de segurança de Roberta Tum, incluindo:
- Sua conta pessoal do Facebook;
- A conta de sua consultoria;
- A conta de sua filha menor de idade, monitorada pela mãe;
- As contas institucionais de sua Casa de Santo e da Federação das Casas de Santo.
Atualmente, os prejuízos são financeiros e profissionais, já que a página era uma de suas fontes de renda. Os conteúdos jornalísticos da profissional estão sendo concentrados temporariamente no portal T1 Notícias.
Esquema organizado contra veículos locais
O caso de Roberta Tum não é isolado. O registro policial foi acompanhado pelo comunicador Rafael Salles de Sousa, proprietário da página "Tocantins Antenado" (com 150 mil seguidores), que também teve sua conta derrubada pelo mesmo método de denúncias e interações em massa.
O documento oficial da Polícia Civil cita que outras duas páginas de conteúdo jornalístico local foram alvos do mesmo esquema: o portal do comunicador Emanuel (com 200 mil seguidores), que já judicializa a questão no Tribunal de Justiça , e a página "Tocantins Boladão". As vítimas sustentam que os ataques fazem parte de uma ação coordenada com nítida motivação político-eleitoral, devido ao impacto das coberturas jornalísticas que realizam no estado.
O procedimento investigativo segue sob o comando da delegacia especializada para que sejam apurados os IPs de registro e os mandantes das contratações tecnológicas.
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