Venho falando sobre Marketing Político Digital, como uma atividade complementar a tudo que escrevi em meu livro “A Bíblia do Marketing Digital”, desde o ano passado, proferindo dezenas de palestras ao redor do país, sobre o tema marketing político digital, não só porquê me pagam, e bem :-) para fazer isso, porquê sou consultado por muitos candidatos e partidos para elaborar seu planejamento de marketing político digital, ou para ser coach digital de suas campanhas, mas também por uma questão de princípios.
Tenho uma crença muito particular que a Internet será um divisor de águas no cenário político do Brasil, abrindo as portas para uma nova forma de democracia e cidadania, baseada mais no conteúdo, programa e boa vontade dos candidatos, do que na verba publicitaria disponível. Não se trata somente em acreditar que candidatos miúdos possam se eleger para cargos importantes, ou que os cidadãos brasileiros terão mais acesso a informações confiáveis sobre as pessoas nas quais estão votando. Não se trata somente em acreditar que o cidadão melhor informado, em particular da nova e vitoriosa classe C brasileira, será capaz de eleger melhores candidatos, se lembrar em quem votou, e cobrar destes candidatos uma postura minimamente digna de homem público.
Todas estas afirmações são verdadeiras, e a Internet, através do marketing político digital, trará novos e miúdos candidatos, eleitores melhor informados, decisões de voto mais conscientes e consistentes, e homens públicos melhores. Mas há uma crença muito mais pragmática, e menos ligada às percepções óbvias, que me leva a acreditar que a Internet e o marketing político digital, podem levar a uma nova era no cenário político eleitoral nacional. Trata-se da “independência política“.
Por independência política, me refiro a capacidade de um candidato se eleger com menos laços com lobistas, financiadores, e acordos políticos. Hoje, um candidato para se eleger passa por um verdadeiro calvário de pedidos e acordos, para conseguir espaço no rádio e TV, e dinheiro para produção de sua campanha. Essa necessidade de exposição publicitaria leva aos acordos, que levam o homem público a estar visceralmente comprometido com outros interesses, que não os do eleitorado, antes mesmo de tomar posse.
Não podemos ser hipócritas e acreditar que com o processo de exposição publicitaria atual, o candidato possa depois estar livre para defender somente os interesses genuínos para os quais foi eleito. O que a Internet, e o marketing político digital, trarão de novo, é a capacidade do candidato ser ele mesmo, fazendo sua campanha com um custo menor, e com uma multidão de colaboradores online, e o transformando de fato no que ele sempre deveria ter sido, um candidato independente politicamente.
Dono do seu próprio eleitorado, e com menos amarras financeiras e dívidas de campanha, candidatos novos ou tradicionais, de grandes ou pequenos partidos, poderão fazer suas próprias escolhas, e eleitos desta forma, exercer seu mandato com independência.
Essa legião de candidatos independentes politicamente, que fizeram campanha pela Internet, usando o marketing político digital, eleitos pelo seu conteúdo e relacionamento, é que farão a diferença na melhoria da qualidade dos homens públicos, das câmaras de vereadores até o congresso nacional.
Comentários (0)