Num dos livros mais vendidos da atualidade para curiosos de todas as frentes a “Arte da Guerra”, de Sun Tzu ensina:
“É preferível capturar o exército inimigo a destruí-lo. Obter uma centena de batalhas não é o cúmulo da habilidade. Dominar o inimigo sem combater, isso sim é o cúmulo da habilidade”.
Ao observar os fatos recentes da política tocantinense, é possível fazer alguns questionamentos interessantes sobre a conquista de aliados que antes estavam em frentes adversárias, e sua repercussão no equilíbrio de forças da campanha eleitoral deste ano. Vamos a eles.
Nas mudanças de posição, sempre há divisor de águas
Quem, em sã consciência, diria há seis meses que Valderez Castelo Branco seria vice-governadora na chapa de Gaguim, deixando 30 anos de convivência e amizade com o ex-governador Siqueira Campos?
Quem poderia imaginar Moisés Avelino e Siqueira Campos, num mesmo palanque em Paraíso - numa troca de gentilezas em confessionário público - onde suas diferenças do passado foram desculpadas e superadas em torno de um projeto comum?
Quem diria na noite do dia 26 de junho, que depois de proferir os discursos mais agressivos possíveis contra o governador do Estado, Paulo Mourão estaria em seu palanque rasgando elogios a Gaguim quatro dias depois?
Quem visse Raul e Solange apoiando Donizete na disputa interna pelo diretório do partido há alguns meses, poderia imaginá-lo conduzindo uma reunião da executiva do partido para não permitir sequer a discussão de uma virtual candidatura da deputada ao Senado, conforme relatado por vereadores da Capital?
Por fim, quem dos que conviveram com a senadora Kátia Abreu (DEM) e com o suplente de deputado Júnior Marzola(DEM) nos últimos oito anos poderia imaginá-los em processo de rompimento há pouco menos de três meses das eleições por razões aparentemente nada convincentes?
Chega ao fim a era da confiança absoluta
A lista de perguntas poderia continuar, extensa, diante do cenário de rápidas mudanças em que se transformou o quadro político tocantinense atual. Não existem mais inimigos para sempre, nem amizades eternas. Já não há o que falar em confiança absoluta. Já não se coloca a mão no fogo por ninguém.
Diante do quadro surreal que caminha para ser pintando nestas eleições, vamos assistir à recriação do mundo. Não estranhem se o Tocantins assistir de novo, guardadas as proporções da parábola, uma adaptação da bíblica e mítica história de Caim e Abel. Tudo é possível. Toda traição pode ser esperada.
É que o vale tudo dos processos de busca pelo poder parecem estar atingindo seu ápice de tolerância. E o eleitor comum no meio deste espetáculo, a tudo assiste, nem tudo entende, mas tudo suportará até o dia 3 de outubro.
Ainda há os que diante de tantas surpresas ainda esperem de nós, observadores mais críticos, olhos e ouvidos moucos, tolerância e complacência. Não dá. É que a inteligência, neste campo, não faz par com a ingenuidade.
Analisando os fatos e as recentes declarações fica a estranha sensação de que nos reservaram um espaço na platéia de um imenso teatro. Mas vamos optar sempre por passear pelos bastidores. Afinal, é só lá que os atores se despem de seus papéis, e as máscaras finalmente caem.
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