Se a política é uma arte e uma guerra que não se faz sem vítimas, o dia de ontem, 30 de junho fez as suas. Muitos se feriram, mas ninguém perdeu tanto ao final das 24 horas desta histórica quarta-feira, quanto Raul Filho de um lado, e de outro, Leomar.
Eu explico, a começar por Raul. Seus companheiros não entenderam a movimentação dos últimos cinco dias e uma parte significativa do PT Regional o crucificou por isto. Quiseram jogar na conta de Raul o fato da candidatura de Paulo Mourão não ter emplacado. É uma grande injustiça.
O raciocínio que faço é simples: se Mourão tivesse uma candidatura viável e consolidada, os líderes nacionais do PT e PMDB não teriam argumento, nem a condição moral de sacrificá-la. O tempo vai por as coisas no lugar e mostrar quem é quem. Mas o que eu tenho visto nos últimos meses é um prefeito sacrificado pelos acordos político-partidários que fez, e que nunca deixou de honrá-los com seu grupo.
Raul pode ter limitações administrativas, mas como companheiro tem comportamento irretocável, e como líder político é de longe o que mais permite a divergência e sabe conviver com ela. A primeira afirmação não é minha, mas do grupo de vereadores que o segue. Da segunda sou testemunha. Ao escolher Paulo Mourão ontem – de quem é preciso respeitar a capacidade que teve de brigar para manter seu espaço político – o PT sacrificou a possibilidade de eleger Solange Duailibe. Só o tempo mostrará se foi a melhor escolha.
No front peemedebista, o sacrifício de Leomar
O PMDB e o governador Carlos Gaguim fizeram ontem uma difícil escolha: manter o idolatrado Marcelo Miranda, à frente em todas as pesquisas para o Senado, mas que terá que brigar na justiça para manter sua candidatura. Se conseguir que o juiz eleitoral lhe dê o registro, sem entender que seu caso se enquadra na lei do Ficha Limpa, Marcelo terá enfrentamento jurídico mais à frente para mantê-la, por que os adversários irão questionar o registro.
Se não conseguir o registro em primeira instância, terá que brigar por ele nos tribunais. De toda sorte, o mais certo é que caberá ao TSE decidir o destino dos três governadores cassados. E muito provavelmente o STF terá que analisar brevemente a constitucionalidade do impedimento que se quer imputar a quem foi julgado, e teve a pena transcorrida, como é o caso de Miranda, Jackson Lago e Cássio Cunha Lima.
Escolher Marcelo, pelo sentimento popular que há em torno dele, era o caminho arriscado, mas seguramente o mais correto a fazer. Imaginem dentro de 30 a 60 dias, esta situação ser definida pela possibilidade do registro, e o PMDB ter tirado do ex-governador a chance do mandato de Senador? Difícil contornar.
Nas ausências, a feridas
As ausências do palanque na convenção do PMDB ontem - a última a terminar – ficaram evidentes os saldos do dia. Raul não integrou a comitiva com Donizete, Darci e Paulo Mourão acompanhados do PC do B e do PRP. Leomar também não foi mais visto após a escolha. Como o tempo é o melhor remédio para tudo curar, os próximos dias vão mostrar que rumo tomará Leomar Quintanilha, que pode vir a disputar mandato de deputado federal.
Por outro lado o PT nesta campanha não poderá prescindir da força e do carisma de Raul. Não dá para esquecer que foi da sua rebeldia e insistência que começou a quebrar muitos paradigmas da política tocantinense. E que sua estrela é uma das maiores, se não ainda a maior, da constelação emergente de lideranças petistas.
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