O que aconteceu com o registro de uma pesquisa a ser realizada pelo instituto Serpes no Tocantins, em nome da FAET cuja contratação foi negada pela federação através de nota encaminhada ao Site Roberta Tum pela assessoria da presidência? Oficialmente, o proprietário do instituto, professor Antonio Lourenço informou que o registro foi cancelado por falta da assinatura do contratante no documento que lhe foi enviado.
Sim, mas enviado por quem? Quem afinal solicitou em nome da Federação da Agricultura, o registro de uma pesquisa no TSE para medir intenção de votos do tocantinense de deputado estadual a presidente da República?
Tratando-se de um instituto conceituado, cujos resultados são considerados confiáveis para divulgação nos veículos da Organização Jaime Câmara, proprietária do único jornal diário no Estado, o questionamento aumenta. Para uns, ficou parecendo que a pesquisa começou e parou por que o resultado nas ruas estava ruim.
Para outros, como se depreende dos primeiros comentários postados nas matérias que tratam do assunto, soou briga interna na própria Faet. Houve quem levantou até a possibilidade da pesquisa ter sido autorizada pela senadora Kátia Abreu (DEM), que coordena a campanha da TLS, e desautorizada pelo presidente da federação Paulo Lima. Coisa que os que conhecem de perto a estrutura de poder da Faet sabem ser no mínimo improvável.
Marqueteiro teria autorizado
Informações não oficiais, mas de fontes que tem se mostrado confiáveis, apuradas pelo Site Roberta Tum revelam os meandros de uma rede de influência que pode se mostrar perigosa sob o ponto de vista da credibilidade. Ao que tudo indica, o marqueteiro João Maurício Roriz, teria solicitado ao Serpes o registro da pesquisa em nome da Faet, sem consulta prévia ao presidente da federação.
Este, quando informado, teria se negado a referendar a contratação. “Já contratamos uma, temos limite de caixa, e não vamos contratar outra”, teria dito Paulo Lima a João Maurício.Final da ópera: registro cancelado, e pesquisa contratada de novo, desta vez pela federação das Câmaras de Dirigentes Logistas, presidida por Ernani Siqueira, que também preside o PSDB.
Ligação direta
Na raiz do problema estaria o fato de que o instituto Serpes é quem oficialmente faz as consultas pagas e publicadas pelo Jornal do Tocantins. Mas, se a pesquisa for paga por uma coligação, também não publicaria, o que acaba atrapalhando que as coordenações de campanha contratem diretamente o instituto.
Quem quer ver sua pesquisa publicada nos veículos da organização que tem a maior audiência na TV e o único jornal diário do Estado, precisa contratá-los através de terceiros. Claro como a luz do dia.
Fora das duas campanhas, a diretora da OJC, Fátima Roriz, tem ditado com firmeza as regras que mantém seus veículos a salvo de acusações de comprometimento com qualquer grupo político. É uma grande executiva, respeitada de A a Z no meio político, empresarial e de comunicação. Mas o fato de ter um filho atendendo cada grupo (João Maurício na campanha de Siqueira e Pedro Roriz atendendo o governo através de sua agência de publicidade) já estaria provocando desconfiança nas duas coligações.
Com esta do Serpes agora, "contratado" e "descontratado" pela Faet sem autorização de sua diretoria, surge a ponta de um iceberg que só revela uma imensa rede de influência, que nunca antes foi tão nítida. Fica a pergunta: considerando que o Serpes é confiável por si só, por que importa tanto quem paga a conta?
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