Está na hora do debate sério começar nesta campanha, que tem pouco mais de dez dias nas ruas de todo o Tocantins. Proponho que comece pelos dois problemas mais graves que nossa sociedade enfrenta: Saúde e Segurança. Que são diretos do cidadão, são deveres do Estado e estão ruins em toda parte, a gente já sabe.
O que resta saber é como vamos resolver: governo, sociedade organizada, imprensa fiscalizando, judiciário agilizando decisões e órgãos de classe se incluindo no debate de forma positiva.
A verdade é que não dá para tapar o sol com a peneira: na saúde na segurança, não estamos bem. Os índices comprovam isto. As pessoas doentes dormindo sentadas em cadeiras nos corredores do HGP comprovam isto. As delegacias pelas quais respondem delegados que não têm o dom da onipresença – e justamente por isto não podem estar em duas cidades ao mesmo tempo – também comprovam isto.
Carros, motos, promoções
Na área da segurança pública, o governo fez muitos investimentos, é inegável. A Polícia Militar, notadamente, foi beneficiada pelas promoções, negociação de indenizações, aquisição de veículos. A civil, por outro lado fez algumas conquistas na área salarial - pondo fim ao movimento grevista que assistimos recentemente – e também recebeu investimento em equipamentos.
A solução do problema da segurança no Estado no entanto é mais complexo, é mais profundo, requer uma política dura, executada por gente especializada, com um comando forte. E precisa, urgentemente de mais pessoal. Isto já era evidente antes do caso de Xambioá ir parar no Jornal da Globo.
A fórmula para combater o narcotráfico, um pacto com o judiciário para criar agilidade e resposta dura contra atos de violência e corrupção de menores é o que se espera ouvir nas propostas dos candidatos que querem governar o estado. A segurança não acontece sozinha e a sensação de segurança está além dos investimentos feitos, mas do bom uso deles.
Saúde agoniza
Já o problema da falta de oferta de serviços de saúde de qualidade, em todas as regiões do Estado merece um artigo específico. Mas a situação que se vive hoje no interior é preocupante e na capital é caótica. Isto por que a demanda não atendida nas cidades, viaja de ambulâncias com ar condicionado direto para Palmas onde engarrafa o atendimento no HGP, em que faltam leitos todos os dias, e pacientes chegam a “morar” em cadeiras por semanas.
É grave e vai além da questão de estrutura física a situação vivida pelo cidadão tocantinense quando precisa de atendimento à saúde. O maior problema é de pessoal qualificado, e de equipamentos. Faltam médicos no interior em quantidade suficiente. Falta recursos para os prefeitos suportarem o custo dos seus hospitais de pequeno porte. Faltam equipamentos.
Na capital, para onde migram doentes de todo Estado e de estados vizinhos, os planos de saúde praticamente pararam de atender. Entraram numa operação tartaruga, movida pelos baixos preços pagos por consultas e procedimentos diversos. Uma consulta leva meses para ser agendada. Os atendimentos de emergência superlotaram. E nos hospitais particulares, não há plantonistas, justamente por que os médicos não querem trabalhar no fim de semana atendendo plano de saúde. Conclusão: mais lotação no HGP.
Fora do bate boca por apoios, denúncias diárias de fatos diversos - que devem continuar existindo, especialmente fora dos períodos eleitorais – o que os candidatos precisam trazer para a imprensa, para as reuniões e para as ruas, é o debate sério, com propostas concretas. Para o eleitor vale mais saber o que vai mudar de prático nas questões importantes da sua vida, quando toda esta loucura de três meses terminar.
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