Depois de Dilma presidente, pode estar vindo aí Luana presidente. É o que se deduz do jogo bruto que já segue travado nos bastidores nesta semana que antecede a posse dos integrantes da nova legislatura, e a conseqüente eleição da Mesa Diretora.
Um grupo tem candidato. A oposição referendou Sandoval Cardoso depois que o peemedebista José Augusto Pugliese recolheu armas. Ex-gestor, deixou situaçõesque ainda terão que ser esclarecidas, a exemplo da titulação de terras do Itertins em cima de áreas do Incra, fato que veio a públicona semana passada naquela coletiva de imprensa. Eduardo do Dertins também era pré-candidato, pretensão abortada em razão de problemas que teriam ficado em sua passagem pela Habitação.
A situação diz que não tem nenhum, mas tem dois candidatos nos bastidores. Raimundo Moreira, que representaria a preferência do próprio governador Siqueira Campos, mas desagradaria os pares pelo perfil conservador e pouco atento – dizem – aos interesses do parlamento. O outro nome, claramente colocado e em campanha nos bastidores há dias é o da deputada Luana Ribeiro. Por vários motivos, vejo que ela está em vantagem. Quanto mais as articulações do governo minam o grupo oposicionista, mais Luana cresce. Não por que seja a preferida, mas por que é a mais leve, e tem, por assim dizer,um grande aval no cenário político.
A força de João Ribeiro
Ninguém subestime a força de João Ribeiro junto aos parlamentares tocantinenses. O estilo conciliador, prático, disciplinado e extremamente organizado de Ribeiro pode fazer – de novo - a diferença neste processo político. Eu explico por quê.
Luana Ribeiro tem o espírito forjado no parlamento, na discussão, no embate e na conciliação, características inerentes à integrantes de casas legislativas em todo mundo. Tem aliado à estas características o fato de ter crescido em ambiente político, o que lhe dá mais experiência e menos ingenuidade por exemplo, que o deputado Sandoval, que é um dos melhores quadros do PMDB.
Se Luana for para a disputa, poderá contar com votos em bloco da oposição - caso esta perca definitivamente os dois PT’s – somados ao seu e ao de até três aliados de Ribeiro, com histórico de apoios anteriores que acrescentam numa fatura política que nem precisa ser cobrada, de tão evidente.
A vice presidência e o fator DEM
Nos bastidores o que se escuta é que há dois fatores decisivos na eleição da semana passada: o fator PT e o fator DEM. O primeiro já está sob intensa negociação pelos articuladores do governo em duas frentes: Donizete e Raul. O primeiro pode ter participação garantida para o PT em alguma instância de poder nos próximos dias, em retribuição ao apoio. O segundo pode ser colocado diante do seguinte dilema: ter ou não ter a parceria financeira do Estado na gestão da Capital. Apoio trocado, de mão dupla de um lado, ou torneiras fechadas de outro.
Calado, o DEM da senadora Kátia Abreu permanece calado. Ninguém sabe em que pé estão estes entendimentos, de tão sigilosos que são. Mas são dois votos que fazem a diferença em favor de qualquer candidato.
A vice-presidência, posto chave na Mesa Diretora é que pode estar em questão caso nas próximas 48 horas o PMDB e aliados compreendam que não terão chances de vencer na cabeça de chapa. Se fracassarem as duas missões que estão em curso: uma em Colinas e outra em Brasília, Luana surge fortalecida como a candidata do parlamento, e não só deste ou daquele grupo. Com um vice do PMDB, e Comissão de Constituição e Justiça a discutir.
Ela manteria, pelo que ouvi em off, as prerrogativas do parlamento e não cederia ao Executivo incondicionalmente. Tão bem resolvida financeiramente quanto o próprio Sandoval, a deputada não estaria em busca de vantagens diretas ou estruturais que a presidência confere ao seu titular. Ao contrário, seu pleito seria estar no centro do jogo político, por onde passam as maiores decisões a cerca da vida do Estado.
O perfil, o nome, os aliados e sobretudo a postura tranquila que tem adotado diante dos últimos acontecimentos estão fazendo de Luana uma super candidata. Vamos ver na contagem regressiva dos dias, e das fortes articulações de bastidores, se o favoritismo se confirmará.
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