Está faltando dinheiro nas estruturas de campanha das duas coligações que colocaram seus times nas ruas do Tocantins. Pelo menos, se ele existe, está desaparecido do mercado. Por mais que a CDL registre aquecimento no comércio com o começo das movimentações, ele nem de longe se assemelha ao tradicional que – em outras épocas – uma campanha em pleno 10 de agosto estaria revelando.
Nós já abordamos aqui a timidez das campanhas proporcionais, o adiamento das estruturas majoritárias ao colocar seus times nas ruas. Mas o fato de que o dinheiro sumiu do mercado na hora de bancar as campanhas ainda não foi abordado com a necessária clareza.
Um amigo, empreiteiro no Tocantins há mais de 10 anos me ligou esta semana para contar: os empresários não estão contribuindo como antes com as campanhas, não por que não queiram. É que definitivamente não têm como contribuir. Ele mesmo sempre colaborou, e este ano está out. Completamente fora.
O “maravilhoso”, como nomina a moeda corrente, de forma engraçada, um amigo meu, deputado estadual, está em falta. E o outro amigo, empreiteiro, segue contando: está em falta não é só no Tocantins não, a crise é coisa do Brasil. “Por quê?” - perguntei – “Vocês não estão recebendo?” É que os tempos são outros, tudo está mais difícil, mais complicado. Não existem grandes margens de lucro, e as coisas não estão tão prósperas como já foi um dia. Ele me explicava que passando por São Paulo, e Belo Horizonte percebeu a mesma “carestia”. Só quem guardou é que tem.
Na campanha governista, proporcionais em dificuldades
Em outros tempos, o cidadão que tinha lá seu pequeno raio de influência, saia candidato na esperança de colocar a mão em três parcelas relativamente gordas de repasse vindo da majoritária que apoiasse. Se fosse sério, aplicava todo, e ainda punha do seu. Se fosse aventureiro, gastava um pouco para maquiar e “investia” o restante no seu patrimônio pessoal. Quantos não entraram de fusca e terminaram a campanha numa caminhonete?
Mas este tempo passou. Agora, o recado é que cada um ponha o seu rico dinheirinho na sua campanha. A majoritária (leia-se governador e vice) vão captar recursos e bancar papel (impressos), além de alguma estrutura de veículos dentro dos critérios estabelecidos. Resultado é que a ladainha está geral.
No caso dos candidatos a senador, nomes que são levados às ruas pelos candidatos a federal e estadual, até agora ninguém viu o “faz me rir”. Conclusão: Paulo Mourão, por exemplo, anda sumido. E a reclamação é grande de que não atende nem trata do assunto “estrutura” com os proporcionais. Já Marcelo anda poupado pelos que esperam a definição do TSE sobre seu registro para chamá-lo a contribuir com os candidatos que levarão seu nome de forma mais incisiva.
Na oposição, captação tem que vir de fora
O caso da oposição é mais grave. Hoje uma fonte me confidenciou que não está fácil a captação de recursos. Quem trabalha nas obras do governo, não quer financiar campanha da oposição. As doações, legais e formais, precisam ser buscadas de quem ainda não está instalado no Estado, e tem a perspectiva de vir a prestar serviço no futuro, caso o candidato da oposição vença as eleições.
Conclusão: o pouco dinheiro que entra sustenta a movimentação da chapa majoritária. Os proporcionais que estão na rua o fazem por conta própria. Vendem seus bois, arrumam dinheiro emprestado, dando imóveis rurais e urbanos em garantia de dívida e colocam a campanha na rua.
O que se escuta é que vem do senador João Ribeiro o aporte maior de recursos até aqui alocados na campanha. Inclusive a garantia de pagamento do contrato da Duda Propaganda. A senadora Kátia Abreu por sua vez, também estaria captando doações, mas estas estariam atendendo prioritariamente os candidatos do DEM.
Já quase na segunda quinzena de agosto, o que os mais de 200 candidatos acostumados a ter suas campanhas bancadas pelas estruturas majoritárias perguntam é: onde está o dinheiro? A única resposta vem da velha marchinha: o gato comeu... e ninguém viu.
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