Os bastidores do descontentamento de Osvaldo

Passei o dia ontem ouvindo detalhes, confirmações de cenas e os possíveis motivos que detonaram a crise de Reis no PMDB. Há políticos que insistem em achar que o problema que eles criam, quando chegam a ser publicados, foi invenção de jornalista. Mas...

Na manhã de ontem, após a publicação de artigo nesta coluna de opinião revelando detalhes das conversações que vem evoluindo nos últimos meses entre Osvaldo Reis e interlocutores do grupo que se auto intitulaTocantins Levado à Sério, diversas reações foram detonadas durante todo o dia.

A primeira reação foi do próprio Reis, que falou ao Portal CT, para confirmar que vai apoiar João Ribeiro ao Senado e criticar Marcelo Miranda. Sintomático. O deputado também conversou com o Conexão Tocantins, para dizer que nunca falou com Siqueira Campos, e que quando o fizer ele mesmo anunciará. Até agora não sei quem disse que ele falou com Siqueira. Com certeza não fomos nós, como se pode conferir aqui.

A verdade é que contra fatos não há argumentos. Osvaldo Reis não falou com o Site RT, por que nosso veículo tinha os detalhes do enredo desenvolvido nos últimos dias, os quais não seria fácil negar. Para nós o deputado estava "incomunicável" e encaminhou uma nota seca, negando que vá deixar de apoiar Gaguim. Nota aliás, nem assinada por ele próprio. É compreensível e não nos cabe julgar Osvaldo. Do alto dos seus mais de 30 anos de vida pública, lhe é dado o direito de ir e vir para onde quiser. De carro ou de avião.

Nervos à flor da pele

Vamos aos detalhes do estopim da crise - que não criamos, diga-se, apenas informamos – que teve seu ápice com a perda pelo deputado de apoios nas cidades de Esperantina e Xambioá nos últimos dias. O desfalque nas suas bases tem sido grande, motivo de rusgas e ciúmes com Júnior Coimbra, fato mais que público. Tudo isso somado aos problemas de ordem pessoal que tem impedido o deputado de dispor com facilidade do próprio patrimônio tem deixado Reis com os nervos à flor da pele nos últimos dias.

Antes de embarcar no avião que o levou para o encontro com os senadores João Ribeiro e Kátia Abreu, Reis recebeu uma turma de Araguaína que o apóia. À frente do grupo estava Heltinho Dantas, do PMDB daquela cidade, que queria de Osvaldo uma definição. “Deputado, o tempo está passando, e nós precisamos trabalhar. Como é que vai ficar?” teria questionado. É que Reis ainda não deu as condições ao seu grupo de ir para as ruas, e a pressão cresce.

Estourando, o deputado teria dito: “Eu não tenho nada, esse Júnior Coimbra tem tudo. A Kátia mandou me chamar, tô indo vender uma fazenda”. E decolou num avião que – afirmam testemunhas – está à serviço da coligação adversária.

Falando ontem pela manhã por telefone com gente graúda do PMDB, e do staff do governador, um Reis nervoso e exaltado despejava as mesmas reclamações: não suporta os Mirandas e não agüenta mais ver seus diretórios invadidos e suas lideranças “tomadas”, por Coimbra. O alvo principal de Reis são os dois: Marcelo e Júnior.

Não nos cabe julgar: só quem convive por dentro da situação sabe mensurar quem tem razão nesta história. Uma coisa é certa: o namoro do deputado com o grupo siqueirista é antigo, a proximidade e a admiração dele com o senador João Ribeiro é notória; e o primeiro passo está mais que dado. O resto o tempo e os fatos dirão.

De nossa parte, resta dizer que se formos medir o estrago que um artigo ou matéria fará, pelas revelações que traz, ou por antecipar fatos algumas horas antes que eles aconteçam, seria preciso abrir mão de fazer jornalismo. Às fontes e aos amigos, tudo. Menos isso.

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