De volta à Palmas após três dias na capital paulista agilizando providências para poder então seguir firme com este Site numa cobertura que pretende ser equilibrada das eleições deste ano, me deparo com a notícia da liminar concedida pelo juiz Daniel Negry mandando tirar do ar artigo do jornalista Luiz Armando Costa que questionava o destino dos recursos levantados pelo governo do Estado por meio de um contrato de exclusividade com o Banco do Brasil para que este se tornasse o pagador oficial da folha dos servidores públicos estaduais.
Primeiro, uma explicação aos nossos internautas, que não leram aqui uma linha sequer sobre este assunto, que a exemplo de outros, considero importante. A análise do contrato, a destinação dos recursos dele oriundos, é tema de discussão ainda na corte de contas, sem conclusão, por enquanto. Assim, por opção editorial, vamos tratar dele após conclusão do processo, votação pelo pleno, e divulgação de aprovação ou rejeição desta parte das contas do governo no ano que passou.
Sobre a campanha e a falta de paixão
Vendo de fora, percebo que a liminar do douto juiz só encontra sentido por que estamos em campanha. Não que este fato a justifique. Mas é certo que as pessoas em geral envolvidas com política, sofrem uma transformação brutal em época de eleição. Me faz lembrar um pouco aquele médico franzino que nos repentes de raiva sofria abrupta mudança para se transformar no incrível Hulk dos anos 80. A raiva é perniciosa, o ódio tira a razão, e infelizmente isso acontece muito em campanha eleitoral.
É na campanha que assistimos ao afloramento das paixões, transformando as pessoas em monstros capazes de agredir os outros em defesa da sua idéia, seu grupo, ou seu projeto de poder. Se por um lado o desejo do poder a qualquer preço estimula a irracionalidade, por outro a falta de esperança na transformação da sociedade pela atuação política provoca um efeito contrário: a apatia, o comodismo, o famoso “tô nem aí”. Por isso jornalistas são importantes.Os que acreditam que ainda há alguma coisa a defender, mesmo que não sejam jornalistas formados nas universidades, como nossa amiga Yanna, no artigo que está em Debate desde ontem.
Sobre o direito de falar bem, de falar mal e de ouvir a resposta
Voltando ao artigo sobre o contrato do Banco do Brasil com o governo, retirado do ar do blog do Luiz, a mando do Dr. Daniel, atendendo pedido dos advogados da coligação Força do Povo: ainda não tive acesso à peça inteira, e à liminar que a atende parcialmente no desejo de que suma da internet um texto assinado, em que um jornalista que conheço e respeito emite sua opinião sobre um parecer público. Mas confesso que fui acometida por um grande incômodo, quando fora da panela de pressão chamada “Tocantins em época de eleição” li a notícia de que por ordem judicial o artigo/denúncia tinha sido retirado do ar.
É um incômodo que se explica por que minha alma livre aceita bem o debate, o contraditório e até a agressividade de quem não concorda com o que eu penso, mas não aceita a censura. O artigo era tendencioso? As informações são falsas, ou foram distorcidas? Sua repercussão através de cópias o transformou numa peça de campanha contra o governador? São perguntas que dão o que pensar.
A princípio penso que a tudo é possível responder. Tudo é possível esclarecer. Tudo é possível contraditar. Até a pior das mentiras pode ser desmascarada. Mas quando assisto um texto sair de circulação, fico com um gosto amargo na boca. E a sensação de que se hoje foi com ele, amanhã pode ser comigo. E no fim, pode ser que ninguém diga nada. Se não sobrar mais ninguém para dizer.
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