Com um olhar estratégico sobre a economia estadual, a senadora Professora Dorinha (União Brasil) detalhou, em entrevista exclusvia ao jornalista Antônio Oliveira do Portal Cerrado Rural Agronegócios, suas propostas para consolidar o Tocantins como a principal força agroindustrial das regiões Norte e Nordeste. Como pré-candidata ao governo, ela enfatizou que o estado já superou a fase de ser apenas um grande produtor de grãos e agora deve focar na transformação da matéria-prima dentro do próprio território.
“Tocantins é vocacionado para o agro e merece desenvolver a agroindustrialização”, afirmou a senadora, destacando que a produção estadual deve alcançar a marca de 9,6 milhões de toneladas em 2026. Segundo Dorinha, o setor de alimentos representa hoje apenas 17,2% do segmento industrial local, um índice que ela pretende elevar através de incentivos e parcerias com órgãos como a SUDAM.
O gargalo da armazenagem
Um dos pontos mais enfáticos da entrevista foi a análise sobre a infraestrutura. Para a senadora, a falta de capacidade estática para guardar a produção é hoje um problema mais grave que a condição das estradas. Com um déficit que obriga o produtor a comercializar até 75% da safra no momento da colheita, o lucro acaba sendo consumido pelo frete alto e pela perda de qualidade do grão.
“Estrada é o menor dos problemas quando a falta de armazenagem consome o lucro do produtor”, pontuou a parlamentar.
Como solução, ela destacou a proposta de utilizar recursos dos Fundos Constitucionais para criar o Programa de Armazenagem Rural, oferecendo linhas de crédito com prazos de até 15 anos e juros reduzidos para que o produtor possa investir em silos próprios.
Logística e hidrovia
Sobre a logística multimodal, a senadora reafirmou seu compromisso com a Hidrovia Araguaia-Tocantins, especialmente após a retomada do projeto do Pedral do Lourenço. “Consideramos esse projeto essencial para o escoamento da produção, tendendo a reduzir os custos para os nossos produtores”, declarou. Ela ressaltou que a obra integra a carteira de investimentos do Novo PAC e é fundamental para a integração regional.
Fruticultura e piscicultura
Dorinha também projetou um salto na produção de frutas e pescados. Citando o Polo de Fruticultura Irrigada do Sudoeste, ela defendeu que o Tocantins utilize a expertise de regiões como Petrolina e Juazeiro para atrair investimentos. A senadora mencionou ainda a subutilização do terminal de carga aérea de Palmas:
“O estado tem condições de criar meios para atrair investidores e fomentar a fruticultura irrigada como forma de diversificar a atividade e garantir sustentabilidade para a agricultura familiar”, explicou.
Extensão rural e gestão técnica
Questionada sobre a atuação do Ruraltins, a senadora defendeu a necessidade de uma gestão técnica e qualificada para atender os mais de 42 mil agricultores familiares do estado. “A assistência técnica deve ser um dos pilares para dar sustentabilidade ao pequeno produtor. O órgão pode até ser ocupado por um quadro político, desde que tenha capacidade técnica e diálogo com o setor”, asseverou.
A força do MATOPIBA
Ao comentar a possível recriação da Agência MATOPIBA pelo Governo Federal, a parlamentar — que preside a Frente Parlamentar Mista do setor — garantiu que o foco será integrar políticas públicas. “O MATOPIBA é a nova fronteira agrícola brasileira. Nosso trabalho será fortalecer as cadeias produtivas, incentivar a inovação e ampliar a classe média rural”, concluiu.
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