“Eu sonho com um dia em que os jovens das nossas comunidades alcançarão seus objetivos”. Este é o legado de sonhos e concretizações do jovem pesquisador Mairu Hakuwi Kuady Karajá, de 30 anos, que faleceu neste domingo, 14. Nascido na Terra Indígena São Domingos Krehawã, em Mato Grosso, Mairu foi pesquisador e ativista indígena reconhecido por sua atuação em defesa dos direitos dos povos originários e por sua produção científica a partir dos saberes e da cosmovisão indígena. Ele também contribuiu no fortalecimento da participação indígena na pesquisa e na formulação de políticas públicas em espaços nacionais e internacionais.
Graduado em relações internacionais pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) e mestre em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), Mairu era doutorando em Direito na França. Em suas redes sociais, partilhava suas contribuições científicas e reflexões acerca de debates sobre a experiência de estudantes indígenas na academia e também manifestações fruto de sua pesquisa, que ressaltaram sua atuação na preservação da língua Inyrybè, o compromisso com a cultura do povo Iny Karajá e sua trajetória acadêmica.
O falecimento de Mairu teve ampla repercussão nas redes sociais, ativistas, pesquisadores e lideranças indígenas homenagearam sua trajetória e destacaram seu legado para as futuras gerações. Em nota oficial divulgada ainda no domingo, 14, o Ministério dos Povos Indígenas ressaltou o compromisso dele com a valorização cultural e os direitos dos povos originários. A pasta enfatizou que Mairu era uma referência para jovens de diversos povos por demonstrar que ocupar espaços institucionais e acadêmicos caminha de mãos dadas com o fortalecimento das tradições e saberes ancestrais, além de consolidar a visibilidade das pautas indígenas.
“Sua atuação contribuiu para ampliar a visibilidade das pautas indígenas e fortalecer o protagonismo dos povos originários na produção de conhecimento e na defesa de seus direitos. Que sua memória, seu legado intelectual e seu compromisso com os povos indígenas permaneçam vivos, inspirando as atuais e futuras gerações", destaca um trecho da nota.
Comentários (0)